O Irã, alvo da ofensiva iniciada em 28 de fevereiro por forças americanas e israelenses, passou a intensificar ações com foco no setor de petróleo, numa tentativa de pressionar economicamente os adversários. Sem condições de vencer militarmente, Teerã aposta em gerar instabilidade no mercado global de energia. O preço do barril voltou a ultrapassar a marca de US$ 100.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos ampliaram os bombardeios contra estruturas militares iranianas, utilizando bombas capazes de destruir bunkers subterrâneos. Já Israel lançou uma nova onda de ataques no Líbano e prometeu retaliar a maior ofensiva do Hezbollah desde o início da guerra.
A resposta iraniana tem sido uma das ações mais visíveis do conflito. Ataques contra navios no golfo Pérsico continuaram nesta quinta-feira, depois que ao menos cinco embarcações foram atingidas no dia anterior. Dois petroleiros ainda estavam em chamas perto do Iraque quando outra embarcação foi atacada pela Guarda Revolucionária nas proximidades do estreito de Ormuz.
A interrupção do tráfego marítimo nessa região, responsável por cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, tornou-se um dos efeitos mais graves da guerra. Mesmo sabendo que também pode ser prejudicado — já que a China é praticamente o único grande comprador de seu petróleo — o Irã aposta no impacto global dessa instabilidade.
Nesta quinta-feira, o petróleo Brent voltou a ultrapassar os US$ 100 por barril. Um dia antes, autoridades iranianas afirmaram que o mundo deveria se preparar para um possível preço de US$ 200.
Além dos ataques a navios, Teerã voltou a atingir instalações energéticas em países aliados dos Estados Unidos no golfo. No Bahrein, instalações petrolíferas foram atacadas. Em Omã, um incêndio de grandes proporções foi registrado no porto de Salalah, enquanto o terminal petrolífero de Basra, no Iraque, também foi atingido por drones, interrompendo o escoamento da produção.
Do lado americano, as operações militares passaram a focar na destruição da infraestrutura aérea do Irã. Bombardeiros B-1B posicionados no Reino Unido foram vistos sendo carregados com bombas de penetração capazes de destruir estruturas subterrâneas.
Vídeos divulgados pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA indicam que um dos objetivos é eliminar o que resta da força aérea iraniana. Entre os equipamentos atingidos estariam os caças F-14, comprados ainda na década de 1970, antes da revolução islâmica, e que continuavam em operação.
Israel também intensificou os ataques contra o Hezbollah no Líbano, atingindo áreas no sul de Beirute e cidades próximas à zona de segurança entre o território israelense e o rio Litani. A ofensiva foi apresentada como resposta ao maior ataque já realizado pelo grupo desde o início da guerra.
Na noite de quarta-feira, mais de 100 foguetes foram lançados contra o norte de Israel em uma ação coordenada entre Hezbollah e Irã. Desde a semana passada, os adversários do país têm realizado ataques combinados para tentar sobrecarregar o sistema de defesa aérea israelense. Não houve registros de mortes nesses ataques.
Apesar da intensidade dessa ofensiva, o número de ataques contra Israel vinha diminuindo nos últimos dias. No dia 4, o Hezbollah havia lançado 47 barragens de foguetes contra o país, número que caiu para seis na quarta-feira, segundo levantamento da Universidade de Tel Aviv. O Irã também tem adotado uma estratégia de dispersar seus ataques com drones e mísseis pela região.
Enquanto a guerra se prolonga, o impacto humanitário cresce rapidamente. No Irã, mais de 1.300 pessoas já morreram e cerca de 3,2 milhões dos 93 milhões de habitantes tiveram de deixar suas casas, segundo dados divulgados pela ONU.
No Líbano, o número de mortos ultrapassa 630, com cerca de 810 mil deslocados. Também há vítimas em países do golfo atingidos por ataques iranianos.
Em Israel, o balanço registra 14 mortos e cerca de 3.400 deslocados internos. Já os Estados Unidos confirmaram a morte de sete militares e cerca de 140 feridos desde o início da guerra.
Apesar da destruição significativa da capacidade militar iraniana, o cenário se mostra cada vez mais complexo e assimétrico, colocando em dúvida a declaração feita por Trump na quarta-feira à noite.
“Nós vencemos. Deixe-me dizer uma coisa: nós vencemos. Nunca queremos dizer que ganhamos antes da hora, mas nós ganhamos. Na primeira hora, a guerra já tinha acabado”, afirmou o presidente americano.
Ex-operador militar de drones dos Estados Unidos afirma que o Irã já possui tecnologia e capacidade para lançar ataques a longa distância. Segundo ele, o país estaria vulnerável a ofensivas desse tipo em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.
| 09:15 – 12/03/2026
