Na terça-feira (24), após uma conversa com Lula, dirigentes do MDB telefonaram para Pacheco e pediram uma posição até o fim da semana, reafirmando o desejo de que se filie ao partido e se lance ao Palácio Tiradentes. Em favor da sigla, alegam oferecer melhor estrutura para a disputa ao Governo de Minas.
Pacheco ainda não descarta se filiar ao PSB, embora o próprio Lula já tenha dito anteriormente que vê o MDB como a melhor opção política para ele.
Desde que anunciou sua saída do PSD, no ano passado, Pacheco tem sido cortejado pelo MDB, pelo PSB e pelo União Brasil. Nos últimos dias, as conversas se afunilaram entre os dois primeiros.
A pouco mais de uma semana do fim do prazo para mudança de partido, porém, o senador tem repetido que sua decisão ainda não está tomada. Pacheco filiou aliados de Minas ao PSB e afirmou a pessoas próximas que vê a sigla como um bom caminho político.
Nesta quarta (25), o senador participou de um jantar com integrantes do PSB -encontro que foi visto pelo grupo como a selagem de um acordo. O presidente nacional, João Campos (PE), o presidente mineiro, Otacílio Costa, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), reforçaram o convite.
No MDB, Pacheco ainda enfrenta as ressalvas da direção, hoje inclinada a liberar os estados para apoiar Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente. Apesar disso, a bancada emedebista do Senado diz não abrir mão do colega.
“Nós não podemos desconhecer o que significará para o partido a volta do Pacheco ao MDB”, afirmou o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) à reportagem nesta quarta, acrescentando que Pacheco é um dos principais quadros da política.
De acordo com aliados de Lula, a entrada de Pacheco no MDB poderia ampliar a possibilidade de uma aliança formal com o partido na disputa presidencial. O presidente, segundo esses relatos, não desistiu de contar com o MDB na busca pela reeleição.
Na noite de terça, reunidos no Palácio do Planalto, Lula e emedebistas passaram em revista as alianças do partido nos estados, levando em consideração como seus diretórios estaduais se posicionariam diante de uma proposta de união com o PT na corrida presidencial.
Os dirigentes do MDB apontaram unidades da federação onde seria necessária uma intervenção direta de Lula para a costura de acordos. A Bahia e o Maranhão foram citados como lugares onde se exige uma ação do presidente. Na Bahia, a relação dos dois partidos foi descrita como autofágica.
Pacheco afirma que a sua decisão sobre a candidatura ao Governo de Minas Gerais também passa pelo alinhamento do campo político de Lula no estado -o que inclui nomes como o do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silva (PSD), e do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), que colocou o nome dele à disposição do MDB para a candidatura ao governo mineiro.
Em busca de um palanque robusto em Minas, Lula é um dos principais entusiastas da candidatura de Pacheco. A pedido do presidente, petistas suspenderam conversas em que procuraram um plano B no estado. Lula também recorreu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que convencesse o senador a concorrer.
Presidente pressiona base por reação política e aceleração da estratégia eleitoral, diante do avanço do adversário nas pesquisas. Cúpula petista cobra mais alinhamento, intensificação do discurso e mobilização para fortalecer a pré-campanha.
| 07:30 – 27/03/2026
