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RR NOTÍCIAS > Blog > Mundo > Vida selvagem substitui humanos na paisagem radioativa de Chernobyl
Vida selvagem substitui humanos na paisagem radioativa de Chernobyl
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Vida selvagem substitui humanos na paisagem radioativa de Chernobyl

Last updated: 24 de abril de 2026 06:37
Gabriel Published 24 de abril de 2026
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Quatro décadas após o desastre nuclear de Chernobyl, no norte da Ucrânia, a região ainda representa risco para a presença humana. Mesmo assim, o local se transformou em um cenário inesperado: um verdadeiro laboratório natural onde a vida selvagem voltou a prosperar, apesar da radiação.

O acidente aconteceu em 26 de abril de 1986, quando o reator 4 da antiga usina nuclear soviética explodiu. A cidade de Pripyat, que tinha cerca de 49 mil moradores, foi evacuada às pressas. Nas semanas seguintes, outras 67 mil pessoas deixaram áreas contaminadas.
A chamada Zona de Exclusão de Chernobyl, com cerca de 2.800 km², reúne 187 vilarejos e áreas rurais abandonadas. O acesso permanece restrito até hoje, especialmente para crianças. Mas, com a saída dos humanos, a natureza avançou.
Espécies como os cavalos-de-Przewalski, originários da Mongólia e introduzidos na região em 1998, hoje circulam livremente pela área contaminada. Eles fazem parte de um ecossistema que se recuperou de forma surpreendente.
Ursos-pardos voltaram à região após mais de um século. Também houve crescimento nas populações de linces, alces, cervos e até cães selvagens, mesmo depois do abate em massa de animais ocorrido após o desastre.
“O fato de a Ucrânia ter hoje uma população de cavalos selvagens é quase um milagre”, afirmou o cientista ambiental Denys Vyshnevskyi à Associated Press. Segundo ele, embora muitos animais tenham morrido inicialmente, outros conseguiram se adaptar, assim como diversas espécies de aves, peixes, anfíbios e insetos.
Estudos citados pela BBC mostram, no entanto, efeitos da radiação. Cientistas identificaram insetos com deformidades, aves albinas e pequenos mamíferos com problemas de visão, como catarata. Alguns sapos desenvolveram pele mais escura, possivelmente como mecanismo de proteção.
Pesquisadores acreditam que, apesar desses impactos, a ausência de atividade humana tem favorecido a recuperação da fauna. Em áreas próximas ao reator destruído, foram encontrados fungos escuros ricos em melanina, capazes de sobreviver em ambientes altamente radioativos.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mutações em plantas e animais foram registradas após o acidente. Mesmo assim, espécies raras voltaram a aparecer em grande número, como castores, lobos, javalis, bisões-europeus e diversas aves.
Com o abandono humano, partes da região passaram a lembrar paisagens naturais de séculos atrás. Para especialistas, isso reforça a capacidade de regeneração da natureza quando há menor interferência humana.
Nos primeiros dias após o acidente, a radiação foi tão intensa que destruiu a vegetação em um raio de até sete quilômetros. A área ficou conhecida como “floresta vermelha”, devido à coloração das árvores mortas. Com o tempo, grande parte da radioatividade diminuiu significativamente.
Hoje, o cenário é marcado por prédios abandonados tomados pela vegetação, estradas engolidas pela floresta e vestígios da era soviética misturados à natureza.
Pesquisas também mostram que, fora da zona mais contaminada, em uma área de cerca de 150 mil km² que abrange partes da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, não foram identificados impactos significativos na fauna e flora.
Mesmo assim, a região voltou ao centro das atenções após a invasão russa da Ucrânia, em 2022. Houve combates próximos à usina, que chegou a ser ocupada temporariamente. A área, antes isolada, passou a ter importância estratégica militar.
O conflito também trouxe novos riscos ambientais, como incêndios florestais causados por ataques e drones abatidos. Esses incêndios podem liberar partículas radioativas novamente na atmosfera, segundo especialistas.
Atualmente, equipes que trabalham na região se revezam para limitar a exposição à radiação. A expectativa é que Chernobyl permaneça inabitável por muitas gerações.
Apesar de tudo, o local se tornou um exemplo impressionante de como a natureza pode se reorganizar e sobreviver, mesmo após uma das maiores tragédias nucleares da história.

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| 16:40 – 03/04/2026

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