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RR NOTÍCIAS > Blog > Política > Collor, preso há 1 ano, vira trunfo para Bolsonaro, mas é deixado de lado na política de Alagoas
Collor, preso há 1 ano, vira trunfo para Bolsonaro, mas é deixado de lado na política de Alagoas
Política

Collor, preso há 1 ano, vira trunfo para Bolsonaro, mas é deixado de lado na política de Alagoas

Last updated: 1 de maio de 2026 08:50
Gabriel Published 1 de maio de 2026
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Sempre bem vestido, às vezes até mesmo de terno e gravata, aparenta tranquilidade e reclama de ter que ficar em casa, especialmente por conta do isolamento, já que tem poucos amigos e eles precisam de autorização judicial para visitá-lo. Também tem o costume de presentear os visitantes.
Collor foi preso no dia 25 de abril de 2025, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, de onde foi levado à sede da Polícia Federal em Alagoas e, depois, para o presídio Baldomero Cavalcante, no qual a sala do diretor foi adaptada para atender às suas necessidades de saúde.
À época, os advogados informaram que o ex-mandatário é idoso e trata as doenças de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar. Depois de seis dias no presídio, Moraes concedeu o benefício da prisão domiciliar.
A pena do ex-presidente abre margem para um pedido de progressão ao regime semiaberto em cerca de cinco meses, em que terá cumprido 17 meses dos 8 anos e 10 meses a que foi condenado.
A prisão se deu pelo processo em que Collor foi condenado por receber propina de um esquema de corrupção na BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras. Ele sempre negou as acusações.
A ação penal é derivada da Operação Lava Jato. Comprovantes encontrados no escritório do doleiro Alberto Youssef, além de depoimentos de colaboradores da operação, foram elencados como elementos de prova.
O caso foi tratado como um prelúdio do que seria a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) meses depois. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se encontrou com Moraes em janeiro e, segundo relatos, perguntou se ele não poderia conceder ao marido o benefício da prisão domiciliar humanitária, assim no caso de Collor.
Bolsonaro teve a prisão domiciliar autorizada há um mês, também com uso de tornozeleira eletrônica.
Moradores do prédio em que o ex-presidente Collor vive dizem que o período de prisão domiciliar está sendo tranquilo, sem grandes mudanças na rotina do edifício, que conta com poucos funcionários e portaria remota.
O ex-presidente vive no endereço com a esposa, Caroline Serejo Medeiros Collor de Mello, e as duas filhas mais novas do casal ficam no imóvel quando estão no Brasil.
Os três filhos mais velhos de Collor, Arnon, Joaquim e Fernando James moram em outras residências. Arnon e Joaquim, inclusive, não vivem em Alagoas.
James e Caroline assumiram o controle da TV Gazeta. Ela é sócia, enquanto ele é considerado administrador.

O endereço atual é uma cobertura de 600 metros quadrados à beira-mar em uma área nobre de Maceió. Segundo parecer que consta em processo na
Justiça do Trabalho, o imóvel conta com varanda, sala de estar, gabinete, galeria, sala de jantar, lavabo, adega, três suítes (sendo uma master com closet), além de piscina, terraços coberto e descoberto e bar.
A decisão do STF sobre a prisão domiciliar não restringe o uso de telefone nem de internet, como acontece com Bolsonaro.
Collor só pode deixar seu apartamento por questões de saúde, em consultas médicas previamente informadas. Se tiver de sair por alguma emergência, tem 48 horas para prestar informações sobre o ocorrido. Seu passaporte foi suspenso e a confecção de um novo documento, proibida.
A defesa do ex-presidente foi procurada, mas preferiu não fazer comentários.Ao longo de um ano de prisão, o ex-presidente teve 24 autorizações de visita deferidas pelo STF, contemplando 23 visitantes em datas específicas de setembro até abril.
Um dos pedidos, para um encontro com quatro pessoas no dia 29 de dezembro, foi desmembrado, sendo duas pessoas no dia 28 e outras duas no dia 29.
Além disso, o ministro autorizou a entrada de um fisioterapeuta por um período de seis meses para a realização de tratamento, a partir de maio de 2025.
Das 23 visitas, 13 foram no ano passado e 10, neste ano. Entre eles estão empresários, políticos, como o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), advogados e jornalistas. O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor (MDB), e o pai dele, o ex-deputado estadual Gervásio Raimundo, constam nas visitas autorizadas por Moraes.
Também foi autorizada a visita do ex-ministro do governo Michel Temer e ex-presidente do PSDB Bruno Araújo e da esposa dele.
Entre os visitantes, também esteve Cláudio Melo Filho, um dos delatores da empreiteira Odebrecht.
No dia 19 de junho, morreu a última irmã do ex-presidente, Leda Maria de Melo Coimbra, que tinha 83 anos.
Em outubro passado, Collor recebeu uma reprimenda por ter deixado que faltasse bateria na tornozeleira eletrônica entre 9h de 2 de maio e 21h de 3 de maio, sob pena de voltar à prisão. A defesa argumentou que o desligamento aconteceu de forma involuntária, decorrente de informações truncadas repassadas a Collor.
Segundo a professora de ciência política da UFAL (Universidade Federal de Alagoas) Luciana Santana, a prisão ocorreu em um momento em que o ex-presidente já apresentava perda consistente de relevância política, com baixa capacidade de articulação e influência reduzida em Alagoas.
O esvaziamento, afirma a professora, vinha se desenhando ainda nos últimos anos de seu mandato no Senado e se acentuou após tentativa frustrada de retornar ao governo estadual. Ele se candidatou ao governo em 2022, concorrendo pelo PTB, mas ficou apenas em terceiro lugar.
Para a pesquisadora, a derrota eleitoral consolidou um quadro de isolamento político, ao evidenciar a dificuldade de mobilização e de reconstrução de capital eleitoral.
Apesar de similaridades com o caso de Bolsonaro no que tange a prisão domiciliar, Santana vê situações distintas. “Diferentemente de Collor, Bolsonaro tem herdeiros na política. Ele tem um filho presidenciável, tem o Carlos Bolsonaro, o Eduardo, a própria Michelle. Então tem um espólio político incomparável nos dois casos”, explica.
Leia Também: Bolsonaro é levado a hospital para passar por cirurgia, diz Michelle

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