O plano em debate teria três pontos principais: o fim do bloqueio dos EUA contra navios e portos do Irã, a reabertura do estreito para o tráfego comercial e a interrupção dos combates, ainda de acordo com a publicação. O jornal mencionou três funcionários do regime que falaram sob a condição de anonimato porque, segundo eles, tratam-se de negociações delicadas. Autoridades americanas não se manifestaram.
O programa nuclear iraniano é o maior impasse para a concretização do acordo, diz ainda o New York Times. Washington quer que Teerã concorde em entregar todo o seu estoque de urânio enriquecido e suspenda seu programa de enriquecimento por 20 anos.
Mas o regime iraniano, até aqui, rejeita a proposta. Em contrapartida, autoridades do país persa teriam apresentado contraproposta em que sugerem diluir parte do urânio, enviar o restante para um terceiro país, possivelmente a Rússia, e suspender o programa nuclear por um período menor, de 10 a 15 anos.
Funcionários e autoridades ouvidas pela agência de notícias Reuters também afirmaram nesta quinta que EUA e Irã se aproximam de um acordo temporário para interromper o conflito. A proposta em negociação gira em torno de um memorando de curto prazo, não de um acordo de paz abrangente.
“Nossa prioridade é que eles anunciem um fim permanente da guerra, e o restante das questões poderá ser resolvido quando retomarem as negociações diretas”, afirmou à Reuters um funcionário paquistanês envolvido na mediação.
Ainda na esfera diplomática, os EUA pressionaram os países-membros da ONU a apoiarem uma resolução que exige que o Irã interrompa ataques e ações de minagem no estreito de Hormuz. Apesar do apelo de Washington, diplomatas dizem que China e Rússia devem vetar a proposta no Conselho de Segurança.
A nova resolução foi elaborada pelo governo americano e pelo Bahrein com apoio de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar. O texto condena supostaas violações do atual cessar-fogo e acusa Teerã de promover “ações e ameaças destinadas a fechar e restringir” a liberdade de navegação.
O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que a resolução é “profundamente falha e unilateral”, além de politicamente motivada. “Os EUA não têm legitimidade legal, política ou moral para se apresentarem como defensores da liberdade de navegação ou da segurança marítima”, disse.
Em paralelo, o regime acusou os EUA de violarem o cessar-fogo atualmente em vigor com ataques contra embarcações do país. Militares americanos, por sua vez, disseram ter incerpetado ofensivas iranianas contra três navios da Marinha em Hormuz. Também afirmaram ter feito ataques aéreos retaliatórios contra instalações militares responsáveis por atacar as forças americanas.
Mais cedo, o Irã negou qualquer envolvimento de suas Forças Armadas na explosão de um navio da Coreia do Sul no estreito de Hormuz.
Na segunda (4), um navio de bandeira panamenha operado pela sul-coreana HMM sofreu uma explosão e pegou fogo. Trump atribuiu o incidente a um ataque iraniano e pediu que o país asiático se juntasse às operações americanas de navegação na rota marítima. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul, por sua vez, afirmou que a causa do incêndio só poderá ser confirmada após a embarcação ser rebocada de volta ao porto e submetida a inspeção.
Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que se reuniu recentemente com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, segundo informou a mídia estatal iraniana. Foi o primeiro relato público de um encontro com Khamenei desde que ele sofreu ferimentos graves no início da guerra.
Pezeshkian descreveu a reunião como marcada por uma atmosfera “humilde e profundamente cordial”.
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