(UOL/) – Um engenheiro de inteligência artificial processa o Google sob a acusação de ter sido demitido injustamente após protestar contra o uso de tecnologias da empresa pelo governo de Israel.
O funcionário distribuiu panfletos no escritório do Google DeepMind, em Londres. Ele questionou se o salário dos colegas valia a pena e acusou a empresa de fornecer tecnologia militar para forças que cometem genocídio.
O engenheiro também enviou e-mails para incentivar a sindicalização. Ele criticou a decisão do Google de 2025 de abandonar a promessa de não criar armas que ferem pessoas e sistemas de vigilância.
O profissional de origem palestina relatou um sentimento de frustração. “Você ia todo dia e sentia que estava traindo a humanidade e o seu povo”, disse o engenheiro, que pediu anonimato e considerava o trabalho um sonho de infância.
A ação corre em um tribunal do Reino Unido. O trabalhador alega que atuou como denunciante e sofreu discriminação por acreditar que ninguém deve ser cúmplice de crimes de guerra.
O Google DeepMind contesta a versão do ex-funcionário. A empresa diz que ele pediu demissão em setembro, o que o engenheiro nega, e afirma que não demite por opiniões ou atividade sindical.
MUDANÇAS NAS REGRAS E CONTRATOS MILITARES
A alteração nas diretrizes de inteligência artificial do Google em 2025 causou crise interna. Segundo funcionários ouvidos sob anonimato, ao menos dez pessoas pediram demissão por não concordarem com os novos usos da tecnologia.
A empresa fechou recentemente um acordo com o Pentágono. O contrato ocorreu após a concorrente Anthropic se recusar a retirar barreiras que impediam o uso de seus sistemas para armas autônomas.
O Google também enfrenta protestos por um contrato bilionário com Israel. Oficiais israelenses afirmaram que a tecnologia de computação em nuvem fornecida pela empresa ajudou nas operações de combate durante o conflito em Gaza.
APOIO LEGAL AO TRABALHADOR
A organização de justiça tecnológica Foxglove apoia o ex-funcionário no processo. Rosa Curling, diretora do grupo, criticou a postura da gigante de tecnologia diante das denúncias.
A diretora afirma que a empresa puniu o engenheiro por tentar recuperar políticas éticas. “Em vez de ouvir seus alertas, a empresa revidou contra esse importante ato de denúncia interna ao demiti-lo”, disse Curling.
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| 05:00 – 20/05/2026
