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RR NOTÍCIAS > Blog > Sem categoria > Prefeitura de Campo Grande tem até 10 de junho para explicar gastos da saúde ao Ministério Público
Sem categoria

Prefeitura de Campo Grande tem até 10 de junho para explicar gastos da saúde ao Ministério Público

Last updated: 3 de junho de 2026 16:20
Marinara Rossignol Published 3 de junho de 2026
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Prefeitura de Campo Grande abre processo seletivo de níveis médio e superior
Prefeitura de Campo Grande/ Divulgação
A Prefeitura de Campo Grande tem até 10 de junho para se manifestar em um procedimento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) que apura o uso de recursos do Fundo Municipal de Saúde.
Empresas que fornecem medicamentos e insumos dizem que não recebem desde o ano passado e já suspenderam parte dos serviços. Com isso, moradores relatam dificuldade para conseguir exames e remédios na rede pública.
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A própria prefeitura informou ao MPMS que tem dívidas com fornecedores. O inquérito soma cerca de 400 páginas.
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Segundo os documentos, o município deve mais de R$ 4 milhões a uma distribuidora de materiais hospitalares. Com outra empresa, a dívida é de R$ 2,7 milhões. Uma terceira fornecedora acumula atrasos desde janeiro do ano passado, com mais de R$ 531 mil a receber.
De acordo com o promotor de Justiça Marcos Roberto Dietz, a apuração começou após reclamações sobre falta de exames na rede municipal.
“Acionamos as empresas que deveriam fornecer os kits para a realização daqueles exames. Essa empresa, especificamente, informou que não estava fornecendo porque não estava recebendo por parte do município de Campo Grande.”
Entre janeiro de 2021 e fevereiro deste ano, as despesas pendentes da prefeitura com fornecedores e prestadores chegaram a R$ 285 milhões. Desse total, pouco mais de R$ 88 milhões foram pagos. O saldo em aberto era de R$ 197,5 milhões.
Falta de exames, remédios e profissionais
Segundo o promotor, do ano passado para cá, aumentaram as reclamações sobre problemas, como falta de medicamentos, demora nos atendimentos, falta de exames e de profissionais para atender a população.
Em audiência de prestação de contas, o secretário municipal de Fazenda, Isaac José Araújo, reconheceu atrasos, mas contestou o valor total informado.
“Quanto aos débitos atrasados de R$ 200 milhões que foi publicado, ele não confere, né? Não existe esse débito total. Existe débito, sim, nós devemos a alguns fornecedores, mas não nesse patamar”, disse.
Em nota, a prefeitura informou que os R$ 197 milhões se referem à situação de fevereiro. Segundo o município, R$ 143 milhões são despesas sem entrega de produtos ou serviços, o que não exige pagamento imediato. A gestão afirma que a dívida efetiva era de R$ 53 milhões, sendo R$ 20 milhões com fornecedores de medicamentos e insumos da saúde.
Para o MPMS, o valor da dívida, por si só, não é o principal problema. O impacto ocorre quando atrasos impedem a entrega de produtos necessários para o atendimento. O órgão também identificou falta de medicamentos na rede. Entre eles está a losartana, usada no tratamento da hipertensão.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, afirmou que a assistência farmacêutica é financiada, em grande parte, por recursos federais e estaduais, e que o município investe pouco nessa área.
“Esse recurso ele está vindo do governo federal e se ele está vindo, é algo que chama a nossa atenção, como é que o fornecedor não está recebendo, porque o recurso está vindo, então é algo que a gente precisa investigar mais a fundo para entender o que é que está sendo feito com esse recurso.”
O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) informou que recebe denúncias frequentes sobre a falta de insumos básicos em unidades de urgência e emergência. O presidente do sindicato, Marcelo Santana, afirma que a continuidade do atendimento depende de os fornecedores conseguirem operar junto à prefeitura.
“Fornecemos materiais e insumos que são utilizados no cotidiano das unidades de saúde. Quando esses insumos faltam, com certeza, a qualidade do atendimento cai e há risco de desassistência à população, inclusive risco de evoluções dramáticas”, ressalta.
Crédito suplementar e discussão sobre CPI
O MPMS também pediu explicações sobre um crédito suplementar de R$ 27 milhões para o Fundo Municipal de Saúde, autorizado por decreto em 13 de abril. “Com essas informações, o Ministério Público vai poder fazer um juízo de valor a respeito desta situação do Fundo Municipal de Saúde”, afirmou o promotor Marcos Roberto Dietz.
A situação da saúde também é discutida na Câmara Municipal. Desde 2025, vereadores tentam criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades, mas ainda faltam duas assinaturas para instalar a comissão.
O presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB), disse que não é contra a investigação, mas citou o risco de uso político. “Eu entendo que a CPI é um instrumento importante, ele só não pode ser usado como questões eleitorais ou eleitoreiras. Seja por agentes externos da Casa ou por próprio colega vereador. Mas é legítimo e se nós tivermos as 10 assinaturas evidentemente que nós teremos a CPI”, afirma.
A prefeitura não comentou a possível criação da CPI. Em nota, disse apenas que mantém diálogo com órgãos de controle e fornecedores para regularizar pagamentos e manter os serviços.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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