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Mundo

EUA e Irã chegam a acordo para encerrar guerra; assinatura está marcada para sexta

Last updated: 15 de junho de 2026 07:14
Gabriel Published 15 de junho de 2026
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O tratado foi firmado mais de três meses após início do conflito e depois de intensa atividade diplomática por mediadores regionais. O presidente americano, Donald Trump, havia anunciado no sábado (13) que o acordo seria assinado em 24 horas. No entanto, após vários alarmes falsos, sua declaração tinha sido encarada com ceticismo.
Trump, que completou 80 anos neste domingo, confirmou o entendimento em uma publicação na plataforma Truth Social. “O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”, escreveu ele.
Já o regime iraniano escreveu em comunicado que o país finalizou um memorando de entendimento após “meses de longas e difíceis negociações”.
Embora os detalhes oficiais do documento ainda não tenham sido divulgados, autoridades dos dois países afirmaram que foi alcançada uma estrutura de paz destinada a encerrar o conflito, suspender o bloqueio naval imposto pelos EUA ao Irã e reabrir o estreito de Hormuz, rota responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo.
A expectativa de normalização do fluxo energético teve impacto imediato. Os contratos futuros do petróleo Brent caíam cerca de 4% nas primeiras horas de abertura do mercado internacional, enquanto o petróleo americano WTI registrava queda de 4,6%.
Ainda de acordo com Sharif, o acordo prevê o “fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”, incluindo o Líbano, que se transformou em um dos principais pontos de atrito durante as negociações.
O conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, ganhou intensidade após o início da guerra entre Washington, Tel Aviv e Teerã. Nas últimas semanas, tanto Trump quanto mediadores internacionais pressionaram por uma redução dos confrontos, mas os ataques continuaram.
A tensão ficou evidente neste domingo, quando Israel fez um novo bombardeio contra os subúrbios do sul de Beirute. O ataque provocou críticas do regime iraniano e do próprio presidente americano.
O negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf afirmou que a ação demonstrava que os EUA não possuíam “a vontade e a capacidade de cumprir seus compromissos”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã responsabilizou Washington pelo episódio e advertiu sobre uma possível “forte resposta”. Já o comando militar iraniano declarou estar com o “dedo no gatilho”, pronto para atingir o “coração do inimigo”.
Trump, por sua vez, criticou a operação israelense. Em mensagem publicada nas redes sociais, afirmou que o ataque “não deveria ter acontecido”, especialmente em um momento em que as partes estavam próximas de concluir um acordo de paz.
As declarações expuseram divergências entre Washington e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Segundo autoridades israelenses, Israel não participou das negociações conduzidas pelos EUA e pelo Irã. O israelense também divergiu dos pedidos americanos para que o país limitasse suas operações militares no Líbano durante as conversas diplomáticas, segundo a agência Reuters.
Autoridades envolvidas nas conversas afirmaram anteriormente que o rascunho do acordo prevê a liberação de aproximadamente US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior. Em troca, o Irã se comprometeria a não produzir nem adquirir armas nucleares.
Segundo uma autoridade iraniana, Teerã concordou em manter congelado o atual estágio de seu programa nuclear até a conclusão de um acordo definitivo. Isso incluiria a suspensão do enriquecimento de urânio e da expansão de instalações nucleares.
Ainda assim, persistem divergências importantes. Autoridades america nas defendem que o entendimento final leve ao desmantelamento completo do programa nuclear iraniano e à eliminação dos estoques de urânio altamente enriquecido. Já representantes iranianos afirmam que qualquer solução deverá preservar a capacidade do país de administrar internamente seu material nuclear.
Apesar dessas tensões, os negociadores conseguiram concluir o entendimento. Trump afirmou que o estreito de Hormuz será reaberto na sexta-feira e que ordenou o fim do bloqueio americano aos portos iranianos. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu o presidente.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o acordo anunciado representa apenas a primeira etapa de um processo mais amplo. Segundo ele, os dois países iniciarão um período de 60 dias de negociações para discutir questões mais complexas, incluindo sanções econômicas e o futuro do programa nuclear iraniano.
O presidente americano estava sob pressão para assinar um acordo de paz diante da alta desaprovação popular da guerra e alta recorde nos preços do diesel e gasolina nos EUA. O conflito ajudou a derrubar a aprovação do presidente dos EUA para 35%, pior índice em seu segundo mandato. Ele assumiu com média de 52% de aprovação, segundo compilação de pesquisas do New York Times. Republicanos se preparam para as eleições de meio de mandato, em novembro, e pesquisas apontam grande desvantagem para o partido.
O fechamento de Hormuz levou o valor do barril do petróleo a saltar de cerca de US$ 72 antes de 28 de fevereiro, início do conflito, para um pico de US$ 126 no final de abril.
Mais cedo, a agência estatal de mídia do Líbano informou que duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas após o bombardeio de Israel contra os subúrbios do sul de Beirute. A ofensiva ocorreu após Tel Aviv acusar o grupo extremista aliado de Teerã de disparar três projéteis contra o norte do país.Com Reuters.
Leia Também: ‘Um dos locais cristãos mais sagrados em chamas’ após ataque russo a Kyiv

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