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Delegada aponta amadorismo de equipe em morte de jovem em salto sem cordas em SP
Brasil

Delegada aponta amadorismo de equipe em morte de jovem em salto sem cordas em SP

Last updated: 15 de junho de 2026 18:27
rrnoticias Published 15 de junho de 2026
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Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, sofreu múltiplos traumas quando atingiu o chão, na manhã de sábado (13). Ela morreu no local, mas ainda apresentava sinais vitais quando foi socorrida por uma enfermeira que testemunhou a cena.
A jovem deveria estar presa a duas cordas, mas nenhuma delas foi afixada em seu corpo. Imagens do salto mostram quando ela é erguida por instrutores e lançada da ponte, a uma altura de 40 metros, sem o equipamento de segurança.
Os responsáveis pelo salto não tinham uma empresa constituída e operavam na informalidade, declarou Andréa. Eles praticavam a modalidade havia cerca de cinco anos, mas o acidente deste sábado, segundo ela, mostra que “não havia nenhum preparo para um esporte que é de alto risco”.
“A corda era o principal adereço. Como que acontece isso?”, questionou.
A reportagem tenta contato com a Entre Cordas, que comercializou o salto, por telefone, dois endereços de email, rede social e WhatsApp, desde a tarde deste domingo (14), mas não obteve qualquer retorno além de uma mensagem automática.
Pelo menos outros dez saltos haviam ocorrido antes da morte de Maria Eduarda. Mas ela seria a primeira a ser arremessada na modalidade “aviãozinho”, quando um grupo segura a pessoa e a arremessa da ponte, segundo Andréa.
A jovem segurava uma câmera para registrar o momento do salto. O equipamento estava acoplado ao pulso dela, mas até agora não foi encontrado. Para a delegada, há indícios de que essa câmera tenha sido descartada após o acidente.
A filmagem do salto não estava inclusa no pacote inicial, que custa em torno de R$ 180, segundo as investigações. Quem quisesse registrar as imagens deveria pagar um valor a mais, explicou Andréa.
Após o acidente, seis pessoas foram detidas no local. Dessas, três ficaram presas.
Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32, Vitor de Freitas Gonçalves, 27, e Maicon Fernandes Cintra, 42, tiveram a prisão convertida em preventiva (sem prazo) e responderão por homicídio com dolo eventual. Neste caso, a imputação é de que os três diretamente envolvidos na tragédia da jovem assumiram o risco de matá-la ao não prendê-la às cordas.
A reportagem procurou o advogado Rafael Gomes dos Santos, por telefone e email na noite de domingo e foi ao escritório dele em Limeira na manhã desta segunda, mas não conseguiu localizá-lo. Em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, ele afirmou que os presos estão abalados emocionalmente e, por isso, não conseguem explicar o que aconteceu.
Os outros foram ouvidos e liberados, mas seguem sob investigação. Segundo a delegada, a polícia ainda pode representar pela prisão deles caso entenda haver indícios de que participaram da ocorrência. Uma delas é a mulher que disse em depoimento ser a responsável por divulgar os saltos nas redes sociais.
Ela afirmou à Polícia Civil que apagou a conta que anunciava o esporte com medo de represálias. Em seguida, ligou para a mãe a fim de comunicar o que havia acontecido.
A polícia ainda procura testemunhas que possam colaborar com as investigações e obteve o extrato de pagamentos da maquininha de cartão usada pelos envolvidos para receber pagamentos.
A partir daí, diz a delegada, novos relatos podem ser incorporados ao inquérito.
O salto ocorreu na ponte do Esqueleto, uma estrutura que pertence à antiga RFFSA, a Rede Ferroviária Federal, que já registrou outros acidentes envolvendo saltos. No ano passado, duas pessoas ficaram feridas ao se chocarem contra o solo, e a ponte chegou a ser bloqueada em 2024 após a morte de uma ciclista -a interdição não vingou.
Leia Também: Grávida de 30 semanas e bebê morrem à espera de obstetra em hospital de MG

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