“Os iranianos concordaram em convidar os inspetores da AIEA a retornarem ao país”, disse Vance a repórteres no resort suíço de Burgenstock, após uma primeira rodada de negociações entre os EUA e o Irã com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Vance afirmou, também, que esse “é um marco importante para o povo americano e o primeiro passo para a desnuclearização permanente ou o fim definitivo do programa de armas nucleares no Irã”.
A primeira rodada terminou nesta segunda, noite de domingo (21) no Brasil, disseram Qatar e Paquistão, que atuaram como mediadores. No domingo, o encontro teve momentos de tensão, inclusive com o Irã se retirando da mesa após ameaças do presidente Donald Trump publicadas em rede social.
Vance disse ainda que o encontro estabeleceu uma boa base para se chegar a um acordo final sobre o fim da guerra.
“Estabelecemos uma base muito boa para um acordo final bem-sucedido”, afirmou ele. “O acordo final é a casa. Ainda não construímos a casa, mas estabelecemos uma base sólida para chegar a um bom resultado para o povo americano.”
Em declaração conjunta, os mediadores da rodada disseram que os EUA e o Irã concordaram com um roteiro para um acordo final em 60 dias e que as autoridades alcançaram “avanços encorajadores”.
As negociações técnicas continuarão durante o resto desta semana no resort de montanha suíço de Bürgenstock, de propriedade do Qatar, segundo o comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do país do Oriente Médio.
As partes concordaram com um mecanismo para pôr fim aos combates no Líbano e abriram uma linha de comunicação para ajudar a garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito de Hormuz, afirmou também o comunicado.
O presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu uma ligação dos Estados Unidos e do Qatar no âmbito das negociações na Suíça, e foi discutida a criação de um grupo de prevenção para pôr fim à guerra com Israel, informou nesta segunda a presidência libanesa.
A conversa abordou “a consolidação do cessar-fogo no Líbano, o fim da escalada militar israelense e as medidas necessárias para avançar nesse sentido, incluindo a possibilidade de criar uma célula com esse objetivo”, acrescentou o comunicado.
Após a primeira rodada de negociações, Washington e Teerã concordaram em estabelecer uma “célula de gestão de conflitos” para interromper os combates entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, segundo os mediadores do Paquistão e do Qatar.
O Líbano foi arrastado para o conflito quando o Hezbollah atacou Israel em 2 de março, na sequência da guerra no Irã.
Os repetidos confrontos no Líbano ameaçaram inviabilizar as negociações, com ameaças iranianas de bloquear novamente o estreito de Hormuz.
“A incansável mediação do Paquistão e do Catar propiciou grandes avanços para pôr fim à guerra no Líbano”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, após o encontro na Suíça.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, reiterou no domingo que o exército israelense permanecerá no sul do Líbano “pelo tempo que for necessário”.
No entanto, até a noite de domingo, não foram registrados bombardeios israelenses nem combates.
De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde do Líbano, desde 2 de março as operações israelenses causaram a morte de 4.106 pessoas. No mesmo período, o exército israelense registrou a morte de 36 militares.
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