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Chefe de gabinete de Milei renuncia em meio a escândalo de corrupção
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Chefe de gabinete de Milei renuncia em meio a escândalo de corrupção

Last updated: 28 de junho de 2026 10:03
Gabriel Published 28 de junho de 2026
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O agora ex-braço direito do ultraliberal deixou a gestão com uma carta publicada em sua conta na rede social X. “Saio com paz e serenidade, mas, acima de tudo, com a consciência tranquila e firme de minhas convicções”, afirmou o político. “Esta noite irei dormir em absoluta paz comigo mesmo e com o que fiz pelo país.”
Adorni enfrentava pressão para se afastar de suas funções desde março deste ano, quando veio à tona que sua esposa, Betina Angeletti, havia viajado com a comitiva oficial da Presidência a Nova York, mesmo sem nenhuma função oficial. A partir de então, diversas outras revelações, difíceis de explicar, vieram.
As mais graves dizem respeito a uma viagem com a família às ilhas caribenhas de Aruba, que pode ter custado de US$ 14 mil a US$ 15 mil, e a compra de dois imóveis em 2024 e 2025 -uma casa em nome de sua esposa em um condomínio a 80 km de Buenos Aires e um apartamento de US$ 230 mil no bairro de Caballito, na capital.
Os gastos parecem incompatíveis com o atual salário do ministro e com sua situação financeira anterior, situação que o tornou o mais impopular dos ministros de Milei -na semana passada, uma pesquisa -do Ceop (Centro de Estudos de Opinião Pública) mostrou que 78% dos argentinos achavam que o político deveria renunciar.
Nada foi suficiente para Milei abandoná-lo. Nesse período, o presidente foi ao Congresso para acompanhar o chefe de gabinete, praticamente interrogado pelos legisladores na ocasião sobre as suspeitas de enriquecimento ilícito, e prestou declarações públicas de apoio.
“De jeito nenhum ele vai sair. Estou tranquilo, Adorni é uma pessoa honesta”, afirmou o ultraliberal ao programa La Nación +, no dia 7 de maio. “O jornalismo não pode violar o princípio da presunção de inocência, como costuma fazer (…) Não vou executar uma pessoa inocente só porque ela feriu o ego de jornalistas.”
Como porta-voz do governo, função que exerceu até o dia 19 de junho (quando a gestão preferiu substituí-lo para diminuir o nível de exposição do funcionário), Adorno era conhecido por dar respostas curtas e às vezes ríspidas a jornalistas. A longa carta de três páginas deste sábado, aliás, foge do seu estilo de comunicação.
A renúncia acontece semanas após o desconforto até mesmo entre aliados se tornar público. No início de maio, Patricia Bullrich, presidente no Senado do partido de Milei, A Liberdade Avança, e ex-ministra de Segurança, afirmou que “quanto antes” Adorni provasse de onde vinha o seu patrimônio, melhor.
“O que eu quero é que isso dure o mínimo possível, porque o público não pode ficar com a impressão de que somos iguais aos que derrotamos”, continuou, em referência a outros escândalos de corrupção de governos passados. Milei venceu as eleições de 2023 contra o que chamava de “casta”, em uma crítica a toda a classe política.
Logo após a publicação, a secretária-geral da Presidência da Argentina e irmã do ultraliberal, Karina Milei, demonstrou apoio ao agora ex-funcionário. “Você é uma pessoa íntegra, valiosa e muito querida por todos nós. Sabemos o momento difícil -e injusto- que você e sua família têm atravessado nos últimos meses, e respeitamos sua decisão, lamentando que as circunstâncias tenham levado a isso”, escreveu ela no X.
Pela carta divulgada, o presidente também continuou apoiando-o até o último momento. “Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, estou indo contra a sua vontade. Agradeço por desta vez aceitar minha renúncia ao cargo de chefe de gabinete”, afirmou Adorni.
“Lamento que o assédio, as mentiras e a tentativa constante da mídia de arruinar a minha honra tenham tentando nos causar tanto mal, mas não posso continuar expondo grande parte das pessoas que amo a essa carnificina midiática”, completou. “Foi uma verdadeira honra”, escreveu na publicação, acompanhada pelas imagens da carta, antes da forma com que costuma terminar suas mensagens: “Fim”.
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