A novidade foi anunciada na noite do último domingo (12), quando o partido Nuevas Ideas confirmou o político de 44 anos como pré-candidato presidencial em eleições internas nas quais ele concorreu sozinho.
O anúncio já era esperado desde julho do ano passado, quando a Assembleia Legislativa abriu caminho para Bukele permanecer no poder por tempo indeterminado em uma votação relâmpago. Medidas controversas são aprovadas assim no país desde que o Nuevas Ideas conquistou 56 de 84 cadeiras nas eleições legislativas de 2021 -desde 2024, após uma reforma que favoreceu Bukele, o partido tem uma supermaioria de 54 cadeiras entre 60.
Em dezembro do ano passado, Bukele deixou clara a sua vontade de permanecer no poder. “Eu não gostaria de sair agora, mas veremos o que Deus, minha família e o país dizem”, disse, em uma entrevista a um youtuber espanhol. “Mas, se dependesse de mim, eu ficaria por mais dez anos.”
A declaração é uma das muitas que contradiz falas do passado. Em 2013, ele disse que, em El Salvador, era possível ser presidente 80 vezes, mas não consecutivamente, “para garantir que (o político) não permaneça no poder e use seu poder para se manter no poder”.
Bukele foi eleito em 2019 e deveria ter deixado a Presidência dentro de cinco anos, como vinha acontecendo desde os Acordos de Paz que colocaram fim na guerra civil do país, em 1992. No entanto, em 2024 ele contornou a Constituição com a ajuda de órgãos que aparelhou após a vitória nas eleições legislativas de 2021, como a Sala Constitucional, o equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil, o Ministério Público e o Tribunal Supremo Eleitoral.
Na época, ele dizia que aquele seria seu último mandato.
Ao que tudo indica, as eleições do ano que vem serão como as de 2024: praticamente sem oposição. Há dois anos, o presidente venceu com 84,65% dos votos, enquanto os partidos que outrora alternavam o poder no país, a FMLN (Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional) e a Arena (Alianza Republicana Nacionalista), conseguiram 6,4% e 5,57%, respectivamente.
Atualmente, a oposição segue praticamente inexistente. Com isso, sobram poucas características de uma democracia em El Salvador.
Em 2025, mais de 50 jornalistas fugiram do país, de acordo com a Apes (Associação de Jornalistas de El Salvador, na sigla em espanhol). A própria organização, aliás, mudou o seu registro para outra nação pela primeira vez desde a sua criação, em 1936 –o que significa que a instituição conseguiu passar por regimes militares e uma guerra civil no século 20, mas não pelo governo de Bukele.
A Apes, assim como outras organizações da sociedade civil salvadorenha, foge de possíveis represálias em decorrência da Lei de Agentes Estrangeiros, aprovada no ano passado. A norma, conhecida por países como a Nicarágua de Daniel Ortega, a Hungria de Viktor Orbán e a Rússia de Vladimir Putin, taxa em 30% transferências feitas de órgãos internacionais para organizações do país e estabelece que esses grupos “se abstenham de realizar atividades que alterem” a ordem pública.
Uma das entidades mais atacadas é a Cristosal, a principal em matéria de direitos humanos no país. A organização vem sendo a principal voz de denúncia de violações que ocorrem desde que El Salvador entrou em estado de exceção, em março de 2022, e nunca mais saiu.
A vitrine da medida, popular por ter diminuído o índice de criminalidade do país, é o Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo). É para lá onde o governo supostamente manda ex-membros das gangues que colocavam o país no topo da lista dos mais violentos do mundo há alguns anos. A falta de transparência e os julgamentos em massa, no entanto, tornam impossível saber se as penas são justas.
Em 2025, o local ganhou destaque após receber mais de 250 venezuelanos deportados pelo governo de Donald Trump, aliado de Bukele. Liberados meses depois, dezenas deles denunciaram tortura e maus-tratos em um relatório feito pela Human Rights Watch em parceria com a Cristosal.
Ruth López, integrante da segunda organização, está presa há mais de um ano sob a acusação de desvio de recursos há mais de uma década.
“A detenção prolongada em regime de incomunicabilidade, as restrições à sua representação legal e a falta de transparência no processo levantam sérias preocupações quanto ao respeito às garantias judiciais e ao devido processo legal, não apenas no caso dela, mas também no de milhares de pessoas detidas arbitrariamente em El Salvador”, afiemou a Anistia Internacional em maio deste ano.
Benefício não é destinado a todos os trabalhadores. A modalidade atende moradores de cidades em situação de emergência ou calamidade pública reconhecida oficialmente
| 06:30 – 14/07/2026
