Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência Reuters que mediadores do conflito apresentaram à Teerã uma proposta para conter a escalada do conflito com os EUA. O plano prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou a jornalistas nesta segunda-feira que o país recebeu propostas para reduzir as tensões, mas não forneceu detalhes. O presidente Masoud Pezeshkian disse que o país está em uma “guerra em larga escala” com os EUA.
Segundo a agência AFP, o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, deve viajar nesta segunda para a capital do Paquistão, país que atua como mediador no conflito.
O governo de Donald Trump também sinalizou uma disposição cautelosa para iniciar novas negociações. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo (19) que “se essa porta se abrir, ficaremos felizes em vê-la aberta”. No entanto, acrescentou que o “comportamento do Irã precisa mudar para que o nosso também mude”.
Horas depois, na noite desta segunda, as Forças Armadas americanas lançaram uma nova série de ataques contra o território iraniano. Segundo a corporação, as operações “visam degradar ainda mais as capacidades militares do Irã utilizadas para atacar embarcações comerciais no estreito de Hormuz”.
Em outro aumento de tensão na região, os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram nesta segunda que estão impondo um bloqueio naval à Arábia Saudita, uma medida que abre uma nova frente de guerra contra os EUA e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.
O Irã havia pressionado os Houthis a fecharem a passagem de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, caso os EUA continuassem atacando a infraestrutura estratégica iraniana.
Em comunicado, as forças armadas dos Houthis disseram estar declarando “um embargo marítimo contra o criminoso inimigo saudita, com base no princípio de ‘olho por olho’, com efeito imediato”. Não houve resposta imediata por parte da Arábia Saudita.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda-feira que atingiu alvos militares americanos em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios de Washington contra cidades iranianas, marcando o nono dia consecutivo de ataques.
Trump, sob crescente pressão interna por causa do aumento dos preços da gasolina devido ao conflito, defendeu a ofensiva mais recente contra o país persa como uma retaliação pela morte de três militares americanos em ataques iranianos recentes.
Dois foram mortos por mísseis iranianos atirados contra uma base na Jordânia que abriga tropas dos EUA, enquanto o terceiro morreu durante a detonação controlada de um drone de um ataque iraniano, segundo as Forças Armadas americanas.
O conflito também se agravou com ataques a instalações de dessalinização, aumentando a perspectiva de escassez de água em partes do Golfo e abrindo uma nova frente em uma guerra que ameaça cada vez mais a infraestrutura civil.
A Autoridade de Aviação Civil do Bahrein informou nesta segunda-feira que o Irã atacou os sistemas civis de navegação aérea do reino, mas que as operações e o tráfego aéreo seguem normalmente.
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que dois navios-tanque de petróleo “explodiram” e ficaram à deriva após tentarem atravessar o estreito por uma rota considerada “insegura”. No domingo, a Guarda havia informado que duas embarcações se envolveram em um “acidente” na mesma região. Ainda não está claro se os dois episódios estão relacionados.
A Reuters não conseguiu verificar imediatamente o incidente. O comunicado não forneceu detalhes sobre as embarcações nem informou se houve vítimas.Separadamente, uma embarcação foi atingida por um projétil de origem desconhecida na costa de Omã, no estreito de Hormuz, informou o serviço britânico de segurança marítima UKMTO. Segundo a agência, a embarcação permanece à deriva, mas a tripulação está em segurança.
Em comunicado, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que sua nona noite consecutiva de ataques contra o Irã teve como objetivo “reduzir” a capacidade do país de atacar embarcações comerciais nas rotas marítimas do estreito.
A agência semioficial iraniana Tasnim informou que mísseis americanos atingiram diversas cidades iranianas na madrugada desta segunda-feira. Explosões foram registradas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini. Segundo a agência estatal Irna, uma pessoa morreu e várias ficaram feridas a sudoeste de Tabriz.
A Guarda Revolucionária afirmou ter atacado aeronaves americanas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, com mísseis balísticos, além de alvos militares no campo de Al-Adiri e na base aérea Ali Al Salem, no Kuwait, bem como posições na Síria. Sirenes soaram no Bahrein na manhã desta segunda-feira, enquanto o Exército do Kuwait informou ter interceptado drones durante um ataque iraniano.
O Irã instou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à ONU, a condenar os bombardeios americanos que, segundo Teerã, atingiram no domingo uma usina nuclear em construção em Darkhovin, no sudoeste do país.
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