Daniel Siad, recrutador de modelos apontado como possível colaborador da rede de Jeffrey Epstein, foi encontrado morto na segunda-feira (20), em sua casa em Colombes, nos arredores de Paris. A Promotoria de Nanterre abriu uma investigação para determinar a causa da morte. Uma autópsia deverá ser realizada. Siad ainda não havia sido ouvido pelas autoridades francesas no inquérito relacionado ao caso Epstein. De nacionalidade franco-argelina e sueca, o recrutador tinha 69 anos. Ele era alvo de acusações de estupro e violência sexual e aparecia em milhares de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre as atividades do financista americano. As mensagens reveladas mostram que Siad mantinha contato frequente com Epstein e enviava fotos, informações e perfis de jovens encontradas durante viagens por diferentes países. Em um dos e-mails, ele comparou o trabalho de recrutamento à atividade de um pescador. “Nesse negócio, sinto-me como um pescador. Às vezes pego rápido, às vezes não há peixe”, escreveu em uma mensagem de 2014. Investigadores suspeitavam que ele tivesse atuado na aproximação de possíveis vítimas com Epstein, utilizando supostas oportunidades no mercado da moda. Algumas das jovens apresentadas ao empresário eram menores de idade. Siad negava ter participado da quadrilha de tráfico e exploração sexual. Ao comentar as acusações, afirmou que Epstein teria se aproveitado de sua confiança e sustentou que seus contatos com o financista tinham finalidade profissional. O recrutador também dizia querer prestar depoimento e apresentar sua versão às autoridades. Até o momento da morte, ele não havia sido formalmente acusado pela Justiça no processo relacionado à rede de Epstein. A França reabriu e ampliou as investigações sobre o caso após a divulgação de milhões de páginas de documentos pelas autoridades americanas. Cinco magistrados passaram a analisar possíveis crimes sexuais, tráfico de pessoas e irregularidades financeiras cometidos no país ou com a participação de cidadãos franceses. Paris ocupava uma posição estratégica nas atividades de Epstein. O empresário mantinha um apartamento de luxo no número 22 da Avenue Foch, próximo ao Arco do Triunfo, e visitava regularmente a capital francesa. A Justiça do país já havia investigado Jean-Luc Brunel, agente de modelos acusado de fornecer jovens a Epstein. Brunel foi encontrado morto em uma prisão de Paris em fevereiro de 2022, enquanto respondia a acusações de estupro e assédio sexual. Epstein foi preso nos Estados Unidos em julho de 2019, acusado de tráfico sexual infantil. Um mês depois, ele foi encontrado morto na cela onde aguardava julgamento. As autoridades classificaram a morte como suicídio. Os vínculos sociais mantidos no passado entre Epstein e Donald Trump também voltaram a ser examinados com a divulgação dos arquivos. O presidente americano reconhece que conheceu o financista, mas afirma que rompeu a amizade décadas atrás e nega ter conhecimento ou participação nos crimes. Entre os documentos divulgados está uma carta atribuída a Trump, acompanhada de um desenho. O presidente nega ter produzido ou assinado o material. Relatos de vítimas seguem revelando detalhes sobre o funcionamento da rede. A brasileira Marina Lacerda, identificada no processo federal americano como “vítima menor de idade número 1”, afirmou que tinha 14 anos quando foi atraída por uma proposta que parecia representar uma oportunidade, mas se transformou em um período de abusos. Outra brasileira, a ex-modelo Amanda Ungaro, também fez acusações públicas relacionadas ao círculo social de Trump, Melania Trump e Epstein. Em abril, ela ameaçou divulgar informações que, segundo ela, comprometeriam o casal. As declarações não foram comprovadas, e a Casa Branca rejeitou as alegações. Bill Gates considerou que Jeffrey Epstein planejou chantageá-lo com informações sobre seus casos extraconjugais, contudo, garantiu que o condenado por abusador sexual nunca chegou a fazer qualquer “ameaça direta” Rafael Damas | 14:36 - 24/06/2026
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