Após vários dias de angústia, autoridades dos dois países expressaram algum otimismo nas últimas horas. As duas nações somam mais de 120 mil hectares queimados, centenas de casas destruídas e milhares de moradores e turistas desabrigados. Na França, os bombeiros conseguiram conter durante a madrugada o incêndio florestal que já destruiu em torno de 42 mil hectares na região de Bordeaux. Na Espanha, moradores de 9 das 11 cidades da província central de Toledo foram autorizados a retornar para casa. No entanto, ainda há focos de incêndio na região de Madri e nas províncias de Ávila, Toledo e Castellón. “Hoje podemos ficar um pouco mais tranquilos, mas estamos em horas críticas. Falamos de um momento fundamental em que é necessário trabalhar para antecipar a chegada de uma nova onda de calor”, afirmou nesta terça o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska. Na avaliação do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, o país começa a ver uma luz no fim do túnel, mas ainda restam horas complexas pela frente. “A situação com a qual estamos lidando hoje é a mais grave que já registramos, a mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial”, disse o presidente da França, Emmanuel Macron. “Estamos diante de um incêndio florestal completamente sem precedentes”, disse ele às equipes de emergência em Bordeaux na noite desta segunda-feira (27). Os incêndios florestais na França já queimaram uma área maior do que no mesmo período de qualquer ano desde 2006. Desde janeiro, o país acumula 92 mil hectares queimados, um recorde em 20 anos, segundo o sistema europeu EFFIS. Na Espanha, são 207 mil hectares desde o início do ano, bem perto da máxima histórica. A Europa, o continente que mais se aquece no mundo, tem registrado ondas de calor recordes neste ano. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas causadas pelo ser humano estão intensificando o calor e a seca, o que permite que os incêndios florestais se espalhem mais rapidamente, durem mais tempo e se tornem mais destrutivos. NOVA ONDA DE CALOR Apesar do avanço nos esforços de combate ao fogo, a situação continuava difícil, segundo Nathalie Delattre, senadora pelo Gironda, região que abrange a cidade de Bordeaux. “Tudo vai depender de como os bombeiros no local vão se sair”, disse ela à BFM TV nesta terça-feira. Acampamentos e residências turísticas em Lacanau, na costa atlântica perto de Bordeaux, estavam sendo esvaziados nesta terça-feira, disse a Prefeitura de Lacanau em sua página no Facebook. Ao todo, 4.000 pessoas tiveram que deixar a área. Na Espanha, as condições durante a noite em Madri permitiram que as frentes de incêndio ativas fossem combatidas de forma eficaz, ajudando a reduzir a ameaça, embora os focos ainda não estejam sob controle, segundo o governo. Muitos moradores ainda aguardavam liberação para voltar para seus lares. Em Aldea del Fresno, a 50 km ao oeste de Madri, dezenas de moradores formaram uma fila de carros com a esperança de receber autorização da Guarda Civil para voltar para casa. “Não deixam passar por causa da fumaça, dizem que tem muita e que nem com máscara dá para respirar”, disse a empregada doméstica Galia Borisova, 55, que se viu obrigada a deixar seus animais para trás. Entre aqueles que puderem voltar, alguns se depararam com estruturas reduzidas a cinzas. “Perdemos tudo”, afirmou à AFP María Ángeles Cañete, 54. Ao lado do marido, ela era proprietária do camping Pantano del Burguillo, em Ávila, e de um outro nas proximidades. “Não temos nada.” O Reuters Climate Monitor indica que a temperatura em Bordeaux deve atingir 33°C nesta terça, 7,1°C acima da média diária entre 1961 e 1990. Em Madri, a previsão era de 37°C, um valor 5,5°C acima da média. Registro feito pelo Sentinel-3 mostra o tamanho das queimadas que atingem o centro e o oeste do país. O sistema Copernicus auxilia as autoridades no monitoramento das chamas e das áreas afetadas | 03:30 – 28/07/2026
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