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RR NOTÍCIAS > Blog > Sem categoria > Falsa gravidez, sequestro e resgate internacional: como a bebê Ayla voltou para a mãe em MS
Sem categoria

Falsa gravidez, sequestro e resgate internacional: como a bebê Ayla voltou para a mãe em MS

Last updated: 16 de agosto de 2026 20:47
Marinara Rossignol Published 16 de agosto de 2026
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Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada
A madrugada de domingo (9) marcou o fim da busca por Ayla Emanuelly, iniciada na sexta-feira (7), após a recém-nascida ser sequestrada em Campo Grande na quinta-feira (6). Ela foi encontrada com vida em uma casa de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com o Brasil, com Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa. Os dois foram presos no imóvel.
Suspeita sequestra bebê para encobrir gravidez falsa e plano foi feito antes de menina nascer, revela polícia
O g1 não localizou as defesas do casal. Outro homem, suspeito de ajudar na ação, também foi preso durante as investigações. A defesa dele informou ao g1 que o homem não tem relação direta com o crime e não sabia dos planos da mulher. Afirmou ainda que ele apenas emprestou o imóvel para que ela realizasse outras atividades, sem imaginar que seria usado para cometer um crime, e que ele não acompanhou nem se envolveu com a ação. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.
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O resgate de Ayla aconteceu após uma operação que envolveu policiais brasileiros e paraguaios, rastreamento de celulares e troca de informações entre as forças de segurança dos dois países. A investigação apontou que a mãe da bebê foi dopada e mantida em cárcere privado no dia do crime.
Oferta de R$ 100 levou a mãe até a casa da suspeita
Segundo relato da mãe de Ayla à polícia, prestado na sexta-feira, a adolescente, de 17 anos, foi até a casa de uma mulher que havia oferecido R$ 100 para que ela cuidasse da filha, na quinta-feira. A jovem foi ao local acompanhada da irmã, de 12 anos, e da bebê.
Conforme o depoimento, as três foram recebidas por Suzilaine, que ofereceu água às meninas. A adolescente relatou que não dormiu depois de beber, mas a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h.
Foi então que, segundo o relato, a situação mudou. A adolescente afirmou ter sido ameaçada e obrigada a entregar a filha. Caso se recusasse, ela e a irmã seriam “jogadas em um buraco”.
A bebê foi levada da casa. O celular da mãe também foi retirado. Segundo a adolescente, havia cerca de 10 homens no imóvel, além da mulher.
As duas irmãs só conseguiram deixar o local por volta de 1h de sexta-feira (7). Ayla, porém, já não estava mais com elas.
Rastreamento de celulares levou investigadores até o Paraguai
Assim que o desaparecimento foi comunicado, a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) acionou a Polícia Civil de Ponta Porã, após os investigadores receberem informações de que a mulher que estava com Ayla poderia ter seguido para o Paraguai.
O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi uma das ferramentas usadas para tentar descobrir o caminho percorrido pelo grupo. A polícia também cruzou dados e reuniu informações que apontavam para a possibilidade de a criança ter sido levada para o país vizinho.
A investigação ganhou reforço do Comando Bipartite, que reúne forças policiais do Brasil e do Paraguai.
Do lado paraguaio, policiais da Diretoria de Polícia de Amambay passaram a trabalhar junto com as equipes brasileiras. A unidade antissequestro do Paraguai conseguiu localizar o imóvel onde Ayla estava.
Amber Alert acionado pela primeira vez em MS
Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça emitiu um alerta sobre o desaparecimento de Ayla por meio do Amber Alert Brasil.
Foi a primeira vez que o sistema foi acionado em Mato Grosso do Sul. A ferramenta amplia a divulgação de informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos que estejam em situação de risco.
A divulgação ajudou a colocar o caso em evidência enquanto as equipes de investigação tentavam descobrir para onde Ayla havia sido levada.
Depois de mais de 48 horas, Ayla é encontrada
Na madrugada de domingo (9), por volta de 1h15, os policiais chegaram ao imóvel em Pedro Juan Caballero. Ayla estava na casa, junto com Alex e Suzilaine.
A bebê foi encontrada com vida, mais de 48 horas depois de ter desaparecido em Campo Grande.
Os dois foram presos no local. Durante a ação, os policiais apreenderam celulares, documentos e um veículo. Os materiais passaram a fazer parte da investigação e poderão ajudar a reconstruir o trajeto feito pela criança e identificar a participação de outras pessoas.
Um terceiro suspeito também havia sido preso no sábado (8). Segundo a polícia, ele teria emprestado o imóvel usado para manter Ayla. A prisão preventiva dele foi decretada durante audiência de custódia no domingo.
Homem que estava com Ayla era procurado pela Justiça
Durante o resgate, os policiais paraguaios descobriram que Alex Melo de Abreu era foragido da Justiça do Amazonas.
Segundo as autoridades paraguaias, ele havia sido condenado a 11 anos e 6 meses de prisão, em regime fechado, por um homicídio cometido no estado.
Ainda conforme as autoridades, ao ser abordado durante o resgate, Alex apresentou uma identidade falsa e teria usado o nome de Weliton Aparecido Lopes dos Santos.
Os dois suspeitos foram levados para o presídio de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.
Polícia diz que plano começou antes do nascimento de Ayla
Depois de localizar a bebê, a investigação passou a tentar entender por que ela foi sequestrada.
Em entrevista coletiva na sexta-feira (14), a delegada Anne Karine, da Depca, afirmou que Suzilaine teria planejado o crime antes mesmo do nascimento de Ayla.
Segundo a delegada, a suspeita teria fingido estar grávida para a própria família e se aproximado da mãe de Ayla durante a gestação.
“A suspeita disse que estava grávida. Ela disse que tinha feito uma curetagem na Santa Casa, mas a gente acredita que ela nunca esteve grávida. Ela falava tanto que estava grávida, para todos”.
De acordo com a polícia, Suzilaine passou a frequentar grupos de WhatsApp de compra, venda e doação de enxovais. Foi nesses grupos que ela conheceu a mãe de Ayla, que procurava roupas e outros itens para a filha.
As duas começaram a conversar e, segundo a investigação, Suzilaine conquistou a confiança da adolescente.
A polícia afirma que a suspeita procurou outras gestantes que dariam à luz na mesma época, mas buscava especificamente uma menina.
“Ela realmente planejou esse sequestro porque tinha o intuito de ter uma filha. Ela buscou outras gestantes que dariam à luz na mesma época da Ayla, só que ela queria uma menina. Então, ela buscou, ela arquitetou tudo isso durante um bom tempo para conseguir”, explicou a delegada.
Depois que Ayla nasceu, segundo a investigação, Suzilaine teria esperado o momento certo para colocar o plano em prática.
Uma das estratégias teria sido oferecer um ensaio fotográfico para atrair a mãe da bebê.
Polícia descarta venda da bebê
A Polícia Civil descartou, até o momento, a hipótese de que Ayla tenha sido sequestrada para ser vendida. Segundo a investigação, Suzilaine pretendia criar a bebê como se fosse sua filha.
A suspeita de que ela tenha inventado uma gravidez e sustentado a história durante meses é apontada pela polícia como um dos elementos que reforçam essa linha de investigação.
De volta para casa
Após ser encontrada, Ayla foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para avaliação médica. Segundo as autoridades, ela estava bem.
Ainda no domingo, depois de ser repatriada, a bebê ficou sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã.
A família passou a receber atendimento da rede de proteção na segunda-feira (10). Na terça-feira (11), Ayla voltou para Campo Grande e continuou sob os cuidados do Conselho Tutelar.
Sete dias depois do sequestro, na quinta-feira (13), a bebê finalmente voltou para a mãe. Segundo informações apuradas, o retorno foi autorizado pela Justiça após uma avaliação psicossocial.
O fim da busca por Ayla, porém, não encerra o caso. A investigação continua para esclarecer a participação de cada suspeito e entender todos os detalhes do plano que começou, segundo a polícia, ainda durante a gestação da bebê.
Nota na íntegra
“A defesa do homem responsável pelo imóvel onde a suposta sequestradora teria ficado para orquestrar o sequestro da bebê, afirma que ele não tem absolutamente nenhuma relação direta com o crime, bem como não sabia e sequer imaginava os planos da mulher apontada pela polícia como sequestradora.
O homem é de família de pessoas honestas, é trabalhador, não possui antecedentes criminais (ficha completamente limpa), nunca se envolveu em confusão e está muito abalado com tudo isso. Na ocasião dos fatos, apenas emprestou seu imóvel a mulher, conhecida, para a realizar outras atividades, mas jamais imaginaria que a finalidade seria a prática de um crime, como também não acompanhou nada, não ficou sabendo e não se envolveu com nada, e todos os fatos do crime são totalmente desconhecidos para ele.
A defesa afirma que não se pode atribuir a culpa direta ao homem responsável pelo imóvel, uma vez que o mesmo, logo que emprestou a casa, pediu o imóvel de volta e retomou sua vida normal, pois não tinha conhecimento de nada do que a mulher estaria fazendo ou tramando.
Quando a polícia chegou no imóvel, na manhã de sábado, o cliente estava tranquilo e respondeu todas as perguntas dos policiais, confirmando o total desconhecimento dos fatos, mesmo porque se tivesse noção ou conhecimento das coisas que estavam acontecendo ele não teria motivos para ficar no imóvel e não estaria calmo.
Após ser preso, no depoimento na delegacia, ambiente totalmente desconhecido para ele que nunca teve passagem pela policial, o homem foi ouvido sem a presença da defesa (de advogados), mas agora, com a verdade dos fatos e a conclusão do inquérito, como também a ampla notícia na imprensa, é possível compreender perfeitamente que o homem preso injustamente não tem qualquer relação direta com o crime e a defesa irá provar cada detalhe a partir de agora.
A defesa confia no trabalho das autoridades policiais, no bom senso e na justiça, e afirma que está adotando medidas para restabelecer a liberdade do cliente a qualquer momento, uma vez que já foi explicado pela própria polícia como o crime ocorreu e as duas pessoas (casal) diretamente envolvidos estão presos. A defesa afirma ainda que o cliente ficou muito feliz em saber que a bebê foi encontrada com saúde e segurança, e isso reflete o seu comportamento normal de uma pessoa de bem, trabalhadora e de família honesta!”
Atenciosamente, advogado Dr. Silvio Ranier e Dendry Rios (Assistente de Defesa).
Ayla Emanuelly foi sequestradaem Campo Grande.
Redes sociais
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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