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RR NOTÍCIAS > Blog > Mundo > Portugal precisará de 1,3 milhão de trabalhadores para sustentar aposentadorias
Portugal precisará de 1,3 milhão de trabalhadores para sustentar pensões
Mundo

Portugal precisará de 1,3 milhão de trabalhadores para sustentar aposentadorias

Last updated: 13 de fevereiro de 2026 13:11
Gabriel Published 13 de fevereiro de 2026
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Portugal precisará de 1,3 milhão de novos trabalhadores até 2030 para garantir o equilíbrio financeiro da Previdência, segundo estudo desenvolvido pelo Centro de Formação Prepara Portugal, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), da Pordata e do próprio sistema de previdência. A pesquisa parte de um indicador central da sustentabilidade das aposentadorias, que é o equilíbrio entre quem trabalha e quem já está aposentado. Estudos atuariais e relatórios de referência apontam que Portugal precisa se aproximar de um patamar de dois trabalhadores e meio na ativa para cada aposentado para assegurar o financiamento regular das aposentadorias nas próximas décadas. Atualmente, esse índice está em torno de 1,7 trabalhador por aposentado. O cenário evidencia um desafio estrutural para o país e tem sido analisado de forma continuada por Higor Cerqueira, idealizador e diretor pedagógico da instituição, reconhecido por sua atuação junto à comunidade imigrante e pela leitura técnica dos impactos da mobilidade internacional na economia nacional. “Com base nos registros oficiais, o estudo estima que, para atingir esse equilíbrio até 2030, seria necessário um reforço acumulado entre 1,2 e 1,3 milhão de trabalhadores ativos líquidos. Em termos estruturais, esse volume corresponde à necessidade de compensar a saída de cerca de 500 mil pessoas para a aposentadoria, em um país marcado pelo envelhecimento da população”, explica Cerqueira que, em março, comanda o Estrela do Atlântico, prêmio que valoriza iniciativas de imigrantes na Europa. As investigações, coordenadas pelo instrutor Pedro Stob no âmbito do curso de Análise de Dados e TI Aplicada à Gestão, utilizam séries estatísticas públicas, abrangendo o período entre 2010 e 2025. Os indicadores mostram ainda que o número de imigrantes residentes no país passou de cerca de 430 mil em 2010 para mais de 1,5 milhão em 2024. Tão relevante quanto o crescimento absoluto é a composição etária dessa população. Cerca de 85% dos imigrantes estão em idade ativa, entre 18 e 64 anos. A taxa de ocupação dessa população chegou a 67% em 2025, segundo dados do IBGE e da Previdência Social, aproximando-se da taxa de emprego dos nacionais, que está em torno de 72% no mesmo período. Esse reforço da população ativa tem impacto direto no sistema de proteção social. Portugal tem atualmente uma taxa de dependência de idosos superior a 37%, ainda de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o que significa que há um número crescente de pensionistas para cada trabalhador ativo. “Um cenário de ruptura entre contribuintes e aposentados ocorre quando o volume de contribuições arrecadadas deixa de ser suficiente para assegurar o pagamento regular das aposentadorias, obrigando o Estado a recorrer, de forma continuada, a repasses do Orçamento da União, ao aumento de impostos ou à redução de benefícios”, alerta o diretor pedagógico. Pedro Stob acrescenta que o estudo permite quantificar essa pressão de forma objetiva. Cada variação de 0,1 nesse equilíbrio entre ativos e pensionistas corresponde, na prática, à necessidade de mais 150 mil a 170 mil pessoas trabalhando e descontando. “Em termos simples, pequenas mudanças demográficas se traduzem rapidamente em dezenas de milhares de novos contribuintes necessários para manter o equilíbrio financeiro da Previdência”, pontua o treinador. Entre 2010 e 2025, a participação dos trabalhadores imigrantes na base de contribuições da Previdência Social no portugal mais que dobrou, de cerca de 3%, para uma projeção de 6% do total. Em termos absolutos, os números confirmam essa tendência e mostram que, em 2024, as contribuições dos estrangeiros ultrapassaram os 3,6 bilhões de euros, representando mais de 12% do total arrecadado pelo regime contributivo, com saldo líquido positivo em relação aos benefícios recebidos pelos imigrantes. Apesar desses indicadores, o estudo alerta para um risco estrutural. A demora no reconhecimento de qualificações acadêmicas e profissionais, na validação de competências adquiridas no exterior e nos processos administrativos associados à obtenção e renovação da residência legal tem levado muitos trabalhadores a procurar outros países europeus, reduzindo a capacidade de Portugal de reter capital humano que contribua para a economia e para o sistema social. Para Higor Cerqueira, esse é o ponto central do debate atual. “A questão que Portugal precisa enfrentar é quantas pessoas conseguem efetivamente trabalhar, contribuir e permanecer. Quando um profissional qualificado fica meses ou anos impedido de atuar, há um custo direto para a economia e para a Previdência, porque essas contribuições deixam de existir”, diz. Ele destaca que a integração efetiva passa, além de políticas públicas mais céleres, pelo acesso à informação e formação alinhada às necessidades reais do mercado de trabalho. “O Prepara Portugal atua justamente nesse cruzamento entre análise de dados, capacitação técnica e experiência prática de quem vive o processo migratório no portugal diariamente”, destaca. Relatório da Anistia Internacional aponta execuções públicas, campos de trabalho forçado e humilhações coletivas como punição a jovens e adultos que consomem séries, músicas e outros produtos culturais da Coreia do Sul no país | 07:40 – 07/02/2026

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