Duas prisões foram realizadas no dia 12 e a terceira, no dia 15. A motivação dos crimes ainda é investigada.
Mortes suspeitas chamaram atenção do hospitalO Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias atípicas em três óbitos registrados na UTI, instaurou por iniciativa própria um comitê interno de análise. Em nota, a instituição afirmou que, em menos de 20 dias, reuniu evidências envolvendo técnicos de enfermagem, demitiu os funcionários e comunicou o caso às autoridades.
Vítimas morreram após aplicação irregular de medicamentosA investigação aponta que os pacientes morreram após a aplicação irregular de medicamentos e até de desinfetante diretamente na veia. O principal suspeito é um técnico de enfermagem de 24 anos.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa, o medicamento utilizado, quando administrado fora dos protocolos médicos, pode causar parada cardíaca em poucos segundos. O nome da substância não foi divulgado.
Suspeito teria usado desinfetante após falta de medicamentoDe acordo com o delegado, em um dos casos, o suspeito aplicou quatro doses do medicamento em uma paciente, que sofreu sucessivas paradas cardíacas, mas sobreviveu inicialmente. Com o fim do remédio, ele teria injetado desinfetante retirado da pia do leito.
“Ele encheu cerca de 13 seringas com o desinfetante e injetou diretamente na veia da paciente, o que acabou causando o óbito”, afirmou Salomão em entrevista ao Jornal Nacional.
Quando as mortes ocorreramAs mortes teriam acontecido entre novembro e dezembro de 2025. Segundo a polícia, o medicamento foi aplicado em dois pacientes no dia 17 de novembro e na terceira vítima em 1º de dezembro.
Como o esquema funcionavaAs prisões se baseiam em imagens de câmeras de segurança e na análise de prontuários médicos. De acordo com a polícia, o suspeito acessava o sistema hospitalar deixado aberto por médicos, prescrevia os medicamentos em nome deles, retirava os produtos na farmácia, escondia as seringas no jaleco e aplicava as substâncias nos pacientes.
Após as aplicações, ele realizava massagens cardíacas para simular tentativas de reanimação diante da equipe médica. Para a diretora do IML, Márcia Reis, as perícias indicam deterioração súbita do quadro clínico das vítimas, sem agravamento gradual, o que reforça a suspeita de ação intencional.
Conivência de outras duas técnicasSegundo o delegado, duas técnicas de enfermagem teriam acobertado a ação. Uma delas, de 28 anos, já havia trabalhado em outros hospitais. A outra, de 22 anos, estava no primeiro emprego. Ambas foram presas.
Imagens de segurança mostram as duas nos quartos das vítimas, observando os procedimentos e vigiando a porta para impedir a entrada de outras pessoas. Uma delas teria auxiliado o principal suspeito na retirada do medicamento na farmácia do hospital.
Outras mortes sob investigaçãoA Polícia Civil investiga se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras instituições públicas e privadas onde os suspeitos já trabalharam. A apuração envolve cerca de 20 laudos periciais e busca reconstruir uma linha do tempo extensa.
O Coren-DF informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa, acompanha a situação e adotará as medidas cabíveis dentro de suas atribuições.
O que diz o hospitalO Hospital Anchieta afirmou que entrou em contato com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos de forma responsável e acolhedora. A instituição destacou ainda que o caso tramita sob segredo de Justiça, o que impede a divulgação de novas informações, e afirmou que o sigilo é essencial para preservar as investigações e o trabalho das autoridades.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o principal suspeito, de 24 anos, escondeu um medicamento dentro do jaleco para aplicá-lo em pacientes da UTI
| 16:15 – 19/01/2026
