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RR NOTÍCIAS > Blog > Mundo > ‘Chega’, diz premiê da Groenlândia após nova ameaça de Trump
Mundo

‘Chega’, diz premiê da Groenlândia após nova ameaça de Trump

Last updated: 20 de fevereiro de 2026 18:36
Gabriel Published 5 de janeiro de 2026
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“Chega”, escreveu Nielsen no Facebook. “Chega de insinuações. Chega de fantasias sobre anexação. Estamos abertos ao diálogo, mas isso deve acontecer pelos canais adequados e respeitando o direito internacional”, declarou o governante do território autônomo, parte do reino na Dinamarca desde o século 18.
Frederiksen também reagiu imediatamente, afirmando que os EUA “não têm absolutamente nenhum direito de anexar a Groenlândia” e que deveriam parar de fazer ameaças “contra um aliado histórico e contra um país e um povo que já deixaram claro que não estão à venda”.
“Infelizmente, acho que o presidente americano deve ser levado a sério”, disse a primeira-ministra à DR, a emissora pública dinamarquesa.”
Ainda na noite domingo, Noruega, Suécia e Finlândia saíram em defesa do vizinho escandinavo. “A Groenlândia é parte integrante do Reino da Dinamarca. A Noruega se solidariza plenamente com o Reino da Dinamarca”, escreveu no X o primeiro-ministro noruguês, Jonas Gahr Store.
“Somente a Dinamarca e a Groenlândia têm o direito de decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”, afirmou o premiê sueco, Ulf Kristersson. Na mesma linha foi o presidente finlandês, Alexander Stubb: “Ninguém decide pela Groenlândia e pela Dinamarca, exceto a própria Groenlândia e a Dinamarca”.
Nesta segunda-feira (5), foi a vez da França reiterar seu apoio à Dinamarca. Porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Pascal Confavreux declarou à imprensa francesa que “fronteiras não podem ser alteradas à força”. “A Groenlândia pertence ao povo da Groenlândia e ao povo da Dinamarca. Cabe a eles decidir o que desejam fazer.”
“Isso é indiscutível na Europa, e nossa unidade europeia sobre essa questão também é perfeitamente clara”, disse também nesta manhã Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores da Alemanha.
Lembrando que o território faz parte da Otan, a aliança militar ocidental, e está inserido na discussão de segurança do Ártico, Wadephul ponderou: “Isso não se confunde com a integralidade do território da Groenlândia e da Dinamarca”.Frederiksen também abordou a questão da Otan e o nó geopolítico que seria uma invasão americana ao território autonônomo. “Se os EUA atacarem outro país da OTAN, tudo para.”
“Nós precisamos de verdade da Groenlândia. Para a nossa defesa”, havia declarado Trump à The Atlantic um dia antes. O bilionário voltou ao assunto ao falar com jornalistas a bordo do Air Force One, descrevendo a região no Ártico como um lugar repleto de “embarcações russas e chinesas”.
Na conversa, o presidente americano fez ameaças também contra Colômbia, Cuba, México e Irã. E chegou a soltar um prazo para tratar da Groenlândia, “uns dois meses”. “Vamos conversar sobre o assunto em 20 dias”, disse Trump, fazendo referência à União Europeia.
“A UE continuará a defender os princípios da soberania nacional”, declarou porta-voz do bloco no briefing de imprensa do bloco, nesta segunda-feira. Keir Starmer, premiê britânico, foi mais enfático: “Eu estou do lado dela (Frederiksen)”.
“A ação do presidente Trump na Venezuela coloca seus aliados em um dilema moral e tático”, escreveu Bronwen Maddox, diretora da Chatham House, em análise sobre a ação na Venezuela publicada no fim de semana.
A jornalista lembra da assertiva da Estratégia de Segurança Nacional, lançada pelo americano no fim do ano passado, com “grande peso no controle do ‘Hemisfério Ocidental'”.
“O Canadá, o Panamá e a Groenlândia, que se enquadram nessa definição geográfica, têm bons motivos para se preocupar com as intenções do presidente -e com os extremos a que ele pode chegar para alcançá-las.”
Entre comprometer o apoio americano na disputa com Vladimir Putin e a integralidade de seus domínios, a Europa inicia 2026 sob novo momento crítico da crise geopolítica que experimenta desde a invasão russa na Ucrânia, que completa quatro anos em fevereiro.
A Groenlândia, antiga colônia dinamarquesa, com 57 mil habitantes, detém o direito de declarar independência da Dinamarca desde 2009. Desde o início do assédio americano, há um ano, quando Trump voltou à Casa Branca, o território autônomo se mantém alinhado a Copenhague, do qual depende sua economia e sua defesa.
Seguidamente nestes últimos meses, Nielsen, o primeiro-ministro groenlandês, repetiu que é a ilha quem decidirá seu próprio futuro.
Leia Também: Estamos no comando, e a Venezuela é um país morto, diz Trump

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