
Diário COP15: Você já ouviu falar de crédito de carbono e biodiversidade?
Durante a programação da COP15, em Campo Grande, um dos debates realizados na “Conexão Sem Fronteiras”, na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas, colocou em destaque um tema ainda pouco conhecido: os créditos de biodiversidade e sua diferença em relação aos créditos de carbono.
O encontro reuniu especialistas e representantes de projetos ambientais para explicar, de forma prática, como esses mecanismos funcionam e como podem ajudar na conservação do meio ambiente, especialmente no Pantanal.
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Entenda a diferença entre crédito de carbono e biodiversidade
De forma geral, os créditos de carbono já são mais conhecidos e funcionam como uma forma de compensação. Ou seja, empresas ou pessoas que emitem gases poluentes podem “compensar” esse impacto comprando créditos equivalentes à redução ou captura dessas emissões em outro lugar.
Já os créditos de biodiversidade têm uma lógica diferente. Eles não servem para compensar danos, mas sim para financiar diretamente a conservação da natureza.
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Segundo a coordenadora de projetos Lorena Lourenço, esse modelo surge em meio a uma crise ambiental global. Hoje, cerca de 75% da superfície terrestre já foi alterada pela ação humana, e a população de animais vertebrados caiu, em média, 68% desde 1970. Além disso, aproximadamente 1 milhão de espécies estão ameaçadas de extinção.
Diante desse cenário, mais de 190 países firmaram um acordo internacional para tentar frear a perda de biodiversidade até 2030. Uma das estratégias é justamente envolver o setor privado no financiamento de ações ambientais.
Como funcionam os créditos de biodiversidade
Projeto pioneiro no Brasil usa onça-pintada para gerar crédito ambiental
Ninfa Eugênia, g1 MS
Diferente do carbono, a biodiversidade não pode ser “substituída”. Por isso, os créditos são gerados a partir de ações reais de conservação em áreas específicas.
No projeto apresentado durante o evento, cada crédito corresponde à conservação de um hectare de habitat por um ano. O valor médio é de cerca de 27 dólares por crédito.
Os recursos arrecadados são usados em ações como:
monitoramento de espécies, como a onça-pintada;
prevenção e combate a incêndios;
pesquisa científica;
educação ambiental;
apoio a comunidades locais.
Um dos diferenciais é que esses créditos não entram em mercado especulativo: assim que são comprados, são “aposentados”, garantindo que o investimento vá direto para a conservação.
Atualmente, esse tipo de mercado ainda está em desenvolvimento, mas já movimenta mais de 6 milhões de dólares no mundo e envolve cerca de 6 milhões de hectares em áreas protegidas.
Projeto no Pantanal é destaque
Projeto pioneiro no Brasil usa onça-pintada para gerar crédito ambiental
Edir Alves
O projeto apresentado durante o debate ocorre na Serra do Amolar, no Pantanal, em uma área de cerca de 40 mil hectares. A iniciativa usa a onça-pintada como espécie “guarda-chuva” — ou seja, ao protegê-la, outras espécies e todo o ecossistema também são beneficiados.
Além da preservação ambiental, o projeto também atua diretamente com comunidades locais, incluindo ribeirinhos e indígenas, promovendo geração de renda, capacitação e ações de prevenção a incêndios.
Por que importa?
O presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Coronel Ângelo Rabelo, destacou a principal diferença entre os dois modelos:
“O carbono é uma compensação de emissões. Já o crédito de biodiversidade é uma oportunidade de investimento direto na proteção de espécies e ecossistemas. É uma iniciativa voluntária, mas com impacto muito concreto”, explicou.
Segundo ele, o projeto desenvolvido no Pantanal é pioneiro no Brasil e já chama atenção internacional, com compradores de países como Austrália, Espanha e Bélgica.
Rabelo também reforçou o impacto social da iniciativa:
“Esse recurso retorna para as comunidades locais. São mais de 300 famílias beneficiadas. A ideia é incluir essas pessoas no processo, gerar renda e garantir que elas possam continuar vivendo no território, ajudando a protegê-lo.”
Por fim, ele destacou que a biodiversidade está diretamente ligada à vida humana:
“Cerca de 60% do que consumimos depende da biodiversidade. Não existe vida sem ela. Por isso, esse tipo de crédito também representa uma responsabilidade social.”
Novo caminho para conservação
O debate mostrou que, enquanto o crédito de carbono já está consolidado, os créditos de biodiversidade surgem como uma nova ferramenta para ampliar a proteção ambiental.
A proposta é simples: transformar a conservação da natureza em algo economicamente viável e, ao mesmo tempo, essencial para o futuro.
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