Um homem de 68 anos foi preso na quarta-feira, suspeito de ter assassinado a ex-mulher, encontrada morta em novembro de 1992. O caso estava arquivado, mas foi “revisado com uma nova perspectiva” após familiares apresentarem “novas informações e pistas”, o que levou à prisão do ex-marido da vítima, que vivia em um asilo em Everett, no estado de Washington, nos Estados Unidos.
Janice Randle foi encontrada morta na cama, com a filha bebê ao lado, em um berço. O marido, James Robert Randle, afirmou às autoridades que a mulher “provavelmente havia sofrido uma overdose, já que tinha histórico de uso de analgésicos”. Há 33 anos, Janice e James estavam em processo de divórcio e viviam separados, segundo comunicado do Gabinete do Xerife do Condado de Pierce.
Embora a investigação inicial tenha tratado o caso como uma possível overdose, a autópsia revelou que não havia drogas no organismo da vítima no momento da morte. A partir disso, o caso passou a ser considerado homicídio, apesar de, na época, só terem sido reunidos “fragmentos de informação, sem nada substancial que estabelecesse causa provável para uma prisão”.
“O caso foi revisado com uma nova perspectiva quando familiares surgiram com novas informações e relatos de confissões do ex-marido de Janice. Essas novas pistas levaram a uma investigação aprofundada, que estabeleceu causa provável contra o ex-marido, hoje com 68 anos, que vivia em um asilo”, informaram as autoridades, acrescentando que Janice teria “morrido em decorrência de uma luta violenta com o ex-marido”.
Segundo a emissora KIRO, afiliada da CBS News, James teria confessado o crime em conversas com os irmãos e com uma das filhas.
“Na verdade, ele contou ao irmão como encenou a cena do crime. (…) Mais tarde, também confessou o homicídio a uma das filhas. Disse que teve que colocar um travesseiro sobre a cabeça da esposa, Janice, e afirmou, sobre o crime: ‘Saiba que fui eu’”, relatou um promotor adjunto.
O homem foi apresentado à Justiça na quinta-feira e se declarou inocente das acusações. Ainda assim, permanece preso com fiança fixada em um milhão de dólares (cerca de 868 mil euros).
Katie Wakin, filha de Janice e enteada de James, afirmou à KIRO que ninguém da família “jamais duvidou” de que ele fosse responsável pela morte da mãe, mas que, na época, não tinham “como provar”. Ela e os irmãos — incluindo a irmã que foi encontrada perto do corpo — ainda estão lidando com a perda da mãe e, agora, com a investigação envolvendo o pai.
“A nossa mãe foi tirada dela; ela não tem memórias da mãe. Minha mãe a amava muito, muito mesmo. Ela ama o pai, mas sabe que ele precisa ser responsabilizado, e está disposta a deixar isso de lado para garantir que a justiça seja feita e que a história da nossa mãe seja contada”, disse.
As autoridades destacaram que “as provas descobertas durante a nova investigação contradizem o relato original apresentado em 1992 e ajudaram a esclarecer o que realmente aconteceu”.
“Este caso é um exemplo marcante de como avanços tecnológicos e novas práticas investigativas podem levar à justiça, mesmo décadas depois. Acima de tudo, é um testemunho do empenho incansável de detetives e investigadores que se recusaram a deixar que a história de Janice fosse esquecida”, concluíram.
Veja o vídeo da prisão na galeria acima.
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