Uma mulher sobreviveu às enchentes que afetam Minas Gerais após ficar agarrada a um poste por três horas e meia, na segunda-feira. A vítima, Edna Silva, foi arrastada pela enchente no município de Ubá após a parede de sua casa desabar. Nesta quinta-feira (26), a mulher de 56 anos contou que a parede da casa desabou e ela acabou sendo arrastada. O noivo, que também estava no local, segue desaparecido. Apesar da força da correnteza que inundou os locais onde muitas pessoas vivem, a mulher conseguiu se agarrar a um poste e o resgate foi realizado pelos vizinhos. “Eu dei tudo o que eu tinha e o que Deus me deu para sobreviver. Foi um milagre, a minha fé me salvou. E, dentro do possível, estou tentando me recuperar. Ontem já consegui jantar um pouquinho”, contou em entrevista ao MG1, emocionada. Edna perdeu a sua casa e o restaurante que tinha, mas contou que nada se compara com não saber qual o paradeiro do noivo, Luciano Fernandes, com quem planejava se casar já no próximo mês. Depoimento emocionante Edna lutou pela vida por cerca de 3 horas, abraçada a um poste, até ser resgatada por dois jovens moradores. Já o namorado dela continua desaparecido. pic.twitter.com/KlBBX6fLJ7 — Senhora RIVOTRIL️ (@SRivoltril) February 26, 2026 Como tudo aconteceu Edna Silva conta que estava em casa com o noivo e com o filho, este último com 31 anos. Segundo explicou, a chuva começou de forma calma, mas acabou se intensificando, acordando todos que estavam em casa. ainda tentaram tirar os carros da garagem, mas nenhum deles imaginou que a água fosse tão rápida, depois de, na madrugada, o rio que está próximo, transbordar e transformar-se em uma enxurrada. “Não tive tempo de raciocinar. A água subindo, subindo, subindo. E então deu aquele estrondo, e parecia que a água fez um redemoinho e me derrubou. Fiquei submersa. Eu não sei nadar, não sei sair da água. A única coisa que me veio à mente foi pedir: 'Senhor, não me deixe morrer afogada'”, explicou. Ainda submersa, Edna pôde sentir o poste depois e o agarrou com muita força. Já na superfície, começou a gritar e os vizinhos acudiram. Um deles jogou uma corda para que ela não precisasse fazer tanta força e que pudesse aguentar até a água baixar mais. “O meu vizinho falou 'você não vai mais embora, estou te segurando'. Mas eu estava perdendo a força e eles diziam para eu ter paciência, para eu ter fé. Quando eu consegui encostar o pé no chão, me puxaram. Já na janela, só perguntei: 'Moço que horas são?' Ele falou pra mim: 'Dona Edna, são 5h20 da manhã'”, relembrou. Cerca de três horas e meia depois de ser levada pela enxurrada, Edna Silva tomou banho na casa de uma vizinha e já com condições de sair de casa foi até seu restaurante, que fica a pouco mais de 100 metros de sua casa. Viu tudo destruído e chorou: “Peguei a única cadeira que sobrou, sentei e fiquei olhando. Eu agradecia. 'Senhor, obrigada por eu e o Bruninho estarmos vivos. Não tenho roupa, não tenho calçado, não tenho telefone, não tenho documentos. Só sobrou a minha vida para recomeçar'”, afirmou, referindo-se ao filho. Nas redes sociais, amigos e familiares de Edna tentam angariar algum dinheiro para o começo desta família e Edna admite que, depois de ter vivo um “milagre”, ainda espera por outro, como, com o eventual aparecimento do noivo: “Ainda tenho esperança de encontrá-lo em um hospital ou em outra cidade, não sei. Mas, do jeito que estava a enchente, só outro milagre.” O balanço mais recente dado pela imprensa brasileira dá conta de que as enchentes que se fizeram sentir no estado já deixaram 62 mortos e 9 desaparecidos. O homem de 50 anos é um dos dois desaparecidos de Ubá. Leia Também: Aparelho que capta sinal de celular em presídio será usado em buscas em MG
