“Ninguém na Ucrânia acredita que (Putin) vá deixar nosso povo em paz, e também não deixará outras nações europeias em paz, porque ele não consegue abrir mão da ideia de guerra. Ele pode se ver como um czar, mas na realidade é um escravo da guerra”, afirmou o líder ucraniano, que insistiu que seu homólogo russo não leva “uma vida normal”.
Zelenski, que está no fórum desde sexta (13), reiterou a importância do fornecimento rápido de mísseis de defesa antiaérea para que a Ucrânia consiga se proteger de ataques russos que, segundo ele, danificaram todas as usinas elétricas ucranianas.
“A maioria dos ataques é direcionada contra nossas usinas elétricas e outras infraestruturas de grande importância. Não resta uma única usina na Ucrânia que não tenha sido danificada pelos ataques russos”, afirmou o mandatário.Esses bombardeios deixaram centenas de milhares de pessoas sem aquecimento num momento em que o país registra temperaturas abaixo de zero.
Na sexta, a Rússia anunciou uma nova rodada de conversas nos dias 17 e 18 de fevereiro com representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos para tentar encontrar uma saída para o conflito, que em breve completará quatro anos.
Minutos antes, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, absteve-se em um discurso de comentar as negociações sobre a Ucrânia, e se limitou a lamentar que as Nações Unidas “não solucionaram” a guerra.
Zelenski expressou esperança de que as negociações de paz mediadas pelos EUA na próxima semana em Genebra sejam sérias e substanciais, mas manifestou preocupação de que a Ucrânia esteja sendo solicitada “com muita frequência” a fazer concessões nas negociações.
“Realmente esperamos que as reuniões trilaterais da próxima semana sejam sérias, substanciais e úteis para todos nós, mas, honestamente, às vezes parece que os lados estão falando sobre coisas completamente diferentes”, disse Zelenski em seu discurso na Conferência de Segurança de Munique.
O líder ucraniano disse que estava sentindo “um pouco” de pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, que ontem disse que Zelenski não deveria perder a “oportunidade de fazer a paz” em breve.
“Nos deem um cessar-fogo. O presidente Trump pode fazer isso: pressionar Putin; conseguir um cessar-fogo. Então nosso Parlamento mudará a lei e iremos às eleições.”
“Os americanos frequentemente retornam ao tema das concessões e, com muita frequência, essas concessões são discutidas apenas no contexto da Ucrânia, não da Rússia”, disse Zelenski.
No entanto, ele acrescentou que esperava que os EUA permanecessem envolvidos nas negociações e que houvesse uma oportunidade para a Europa, que segundo ele está atualmente marginalizada, desempenhar um papel maior. Zelenski já manifestou preocupação de que as eleições de meio de mandato do Congresso dos EUA, em novembro, poderão fazer o governo Trump focar em questões políticas domésticas nos próximos meses.
Ucrânia e Rússia participaram de duas rodadas recentes de negociações mediadas por Washington em Abu Dhabi, que foram descritas pelos lados como construtivas, mas não alcançaram nenhum avanço significativo.
A Rússia disse que sua delegação em Genebra será liderada pelo conselheiro de Putin, Vladimir Medinski, uma mudança em relação a Abu Dhabi, onde a equipe russa foi liderada pelo chefe da inteligência militar, Igor Kostiukov.
Autoridades ucranianas criticaram anteriormente a condução das negociações por Medinski, acusando-o de dar aulas de história, do ponto de vista russo, à equipe ucraniana em vez de se envolver em negociações substanciais.
A Ucrânia rejeita uma retirada unilateral de qualquer porção de território e busca garantias de segurança ocidentais sólidas para dissuadir a Rússia de relançar sua ofensiva após qualquer cessar-fogo.
A Rússia ocupa cerca de um quinto do território da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia que anexou em 2014 e áreas nas quais os separatistas apoiados por Moscou haviam tomado antes de 2022.
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