Pouco mais de duas semanas após a morte de Renee Good — uma americana de 37 anos que, em 7 de janeiro, foi baleada pelo menos quatro vezes por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) enquanto deixava o local onde estavam —, mais uma pessoa morreu em Minneapolis. Desta vez, a vítima é um homem, que se torna a segunda pessoa a morrer pelas mãos desses agentes nesta cidade do estado de Minnesota, ao menos desde o início do ano. Tudo aconteceu durante a manhã (já à tarde em Portugal), quando agentes do ICE atiraram diversas vezes contra Alex Jeffrey Pretti. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram que o homem de 37 anos foi cercado por várias pessoas. O grupo o agrediu e, em seguida, é possível ouvir os disparos. Momentos antes de a morte ser confirmada, o governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, havia denunciado “mais um tiroteio horrível cometido por agentes federais” e pediu ao presidente dos Estados Unidos, o conservador Donald Trump, que encerrasse a operação anti-imigração e retirasse “milhares de agentes violentos” daquele estado norte-americano. Alex Pretti perdeu sua vida se preocupando com outros como enfermeira VA e hoje ele deu sua vida protegendo um companheiro de protesto que estava sendo violentamente agredido pelo ICE. Ele viveu ajudando pessoas em necessidade e morreu ajudando pessoas em necessidade.Eu espero que meus dois filhos cresçam para serem homens que estão em pé no… pic.twitter.com/gDuxF4QfaD — Zach W. Lambert (@ZachWLambert) 24 de janeiro de 2026 Enfermeiro e com licença para porte de arma Alex Jeffrey Pretti, 37 anos (não 51, como foi relatado inicialmente), ele era enfermeiro de terapia intensiva da Administração de Veteranos, órgão governamental responsável por assuntos relacionados a veteranos de guerra. A agência Associated Press (AP) conversou com familiares do enfermeiro e apurou que ele era amante da natureza e havia participado dos protestos realizados em Minneapolis após o assassinato de Renee Good. “Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que vinha acontecendo em Minneapolis e em todos os Estados Unidos com o ICE, assim como milhões de outras pessoas. E sentia que protestar era uma forma de expressar isso, sua preocupação com os outros”, disse o pai do enfermeiro, Michael Pretti, à AP. Alex Pretti era cidadão americano, nascido no estado de Illinois. Assim como Renee Good, não tinha antecedentes criminais, e a família relatou que ele nunca havia tido interações com a polícia, exceto por algumas multas de trânsito. Em uma conversa recente com o filho, os pais de Alex Pretti, que vivem no estado de Wisconsin, pediram que ele tomasse cuidado durante os protestos. “Tivemos essa conversa com ele há duas semanas, dizendo para protestar, mas sem se envolver, sem fazer nada estúpido, basicamente. E ele disse que sabia disso. Ele sabia disso”, disse Michael Pretti. O Departamento de Segurança Interna afirmou que a enfermeira foi baleada após “se aproximar” de policiais do ICE portando uma arma semiautomática de 9 milímetros. As autoridades não esclareceram se Alex Pretti chegou a empunhar a arma, que não é visível em um vídeo do tiroteio analisado pela Associated Press. Segundo a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto em Minnesota, mas nunca o viram usá-la. A família de Alex Pretti tomou conhecimento do tiroteio quando foi contatada pela AP. Enquanto isso, autoridades federais norte-americanas informaram que o agente que matou Alex Pretti a tiros possui oito anos de experiência na Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês). “O agente era altamente capacitado e contava com oito anos de atuação na patrulha de fronteira. Possui ampla formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais”, afirmou nesta terça-feira, em entrevista coletiva em Minneapolis, Greg Bovino, alto funcionário da USBP. Bovino afirmou que o tiroteio ocorreu às 9h05 no horário local (15h05 em Lisboa), quando agentes realizavam uma operação contra um “imigrante indocumentado” chamado José Huerta Chuma, que, segundo ele, tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública. Durante a operação, “um homem se aproximou dos agentes da patrulha de fronteira com uma pistola semiautomática de nove milímetros. Os agentes tentaram desarmá-lo, mas ele resistiu violentamente”, relatou Bovino, acrescentando que, “temendo por sua própria vida e pela de seus colegas, um agente disparou em legítima defesa”. Greg Bovino acrescentou que equipes médicas prestaram atendimento imediato à vítima, que foi declarada morta no local, e que o homem “também portava dois carregadores cheios e não tinha documentos de identificação visíveis”. Bovino acusou o chefe de polícia, Brian O'Hara, e o prefeito da cidade, Jacob Frey, de ocultarem o fato de que a vítima estava armada e denunciou os “ataques constantes” contra agentes de imigração durante operações de grande escala em Minneapolis, que vêm gerando protestos da população local. Jacob Frey, Brian O'Hara e o governador de Minnesota, Tim Walz, já pediram ao presidente dos EUA que ponha fim às operações em Minneapolis. 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