Em publicação na plataforma Truth Social, Trump escreveu que, se os “políticos corruptos” do estado de Minnesota não fizerem cumprir a lei e impedirem “agitadores e insurrecionistas” de atacar agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), ele recorrerá à controversa legislação pra restabelecer a ordem.
A Lei da Insurreição, criada em 1807, permite ao presidente empregar soldados das Forças Armadas no território americano em situações de distúrbios que ultrapassem a capacidade das autoridades civis de manter a ordem. A simples menção à legislação por Trump aumentou a preocupação entre líderes estaduais e municipais, que já descrevem a intervenção federal como excessiva e desestabilizadora.
A legislação foi invocada durante a Guerra Civil e na década de 1960 para implantar o fim da segregação racial. Foi aplicada pela última vez durante os protestos antirracismo de Los Angeles, em 1992, que deixaram um saldo de 63 mortos e milhares de feridos.
A ameaça do presidente ocorreu após novo caso de violência na quarta-feira (14), quando um agente federal de imigração atirou contra um homem em Minneapolis, o que motivou mais protestos na cidade. Segundo o Departamento de Segurança dos EUA, ele é um imigrante da Venezuela.
O homem baleado sofreu um ferimento na perna e foi levado para um hospital para tratamento, informaram as autoridades. A identidade não foi divulgada.
Autoridades do Departamento de Segurança Interna confirmaram o caso no X. Segundo a pasta, “um estrangeiro ilegal da Venezuela” foi alvo de uma abordagem de trânsito e resistiu à prisão.
“Enquanto o sujeito e o agente da lei estavam em luta no chão, dois indivíduos saíram de um apartamento próximo e também atacaram o agente da lei com uma pá de neve e cabo de vassoura”, escreveu o departamento, em nota.
O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse que uma multidão de manifestantes foi às ruas após o caso, e algumas pessoas miraram fogos de artifício contra os policiais. Não há registro de feridos nem de prisões.
Esse caso se soma à morte da cidadã americana Renée Nicole Good, 37, baleada por um agente do ICE na semana passada, o que provocou indignação e mobilizações massivas contrárias à presença de forças federais.
Líderes locais, incluindo o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador de Minnesota, Tim Walz, têm condenado a presença de agentes do ICE na região. Desde a morte de Good, protestos e confrontos entre forças federais e manifestantes se espalharam e se tornaram frequentes em todo o estado.
“Isso não é sustentável”, disse o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. “Temos agentes do ICE por toda nossa cidade e por todo nosso estado que, junto com a Patrulha de Fronteira, estão criando caos.”
Em vídeo postado nas redes sociais mais cedo nesta quarta, o governador de Minnesota, Tim Walz, também condenou “o caos, a perturbação e o trauma que o governo federal está despejando sobre a comunidade”. O líder democrata descreveu interrogatórios de porta em porta por agentes do ICE “armados, mascarados e mal treinados”.
A morte de Good ocorreu logo após cerca de 2.000 agentes federais terem sido enviados para a área de Minneapolis no que o Departamento de Segurança Interna chamou de sua maior operação de todos os tempos, aprofundando uma divisão entre o governo federal e os líderes democratas no estado.
Apesar dos protestos massivos, o governo de Donald Trump tem se negado a investigar o ICE após a morte da mulher, e o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), que supervisiona a agência, mantém a informação de que o autor do disparo agiu em legítima defesa, algo que é contestado por vários setores da sociedade civil.
Segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada quinta, os republicanos estão divididos sobre o grau de força que agentes federais de imigração devem empregar em suas operações. Os entrevistados foram questionados se os agentes deveriam priorizar a redução de danos às pessoas, ainda que isso limitasse o número de prisões, ou se deveriam estar dispostos a usar a força mesmo com risco de ferimentos graves.
Entre os republicanos, 59% afirmaram que as prisões devem ser priorizadas mesmo com risco de ferimentos, enquanto 39% defenderam que a atuação dos agentes deve focar a redução de danos, ainda que isso resulte em menos detenções.
Entre os democratas, houve consenso: 96% disseram que evitar ferimentos deve ser a prioridade, contra apenas 4% favoráveis a uma atuação centrada no número de prisões. Parte dos entrevistados não respondeu à pergunta. A pesquisa ouviu 1.217 pessoas em todo o país e tem margem de erro de três pontos percentuais.
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| 16:00 – 15/01/2026
