O morador da casa onde ocorreu a explosão, na noite de quinta-feira (13), na Zona Leste de São Paulo, já foi investigado pela Polícia Civil por soltar balões com fogos de artifício em 2011 em São José dos Campos, interior do estado.
O morador da casa onde ocorreu a explosão, na noite de quinta-feira (13), na Zona Leste de São Paulo, já foi investigado pela Polícia Civil por soltar balões com fogos de artifício em 2011 em São José dos Campos, interior do estado.
O imóvel ficou completamente destruído. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o local “armazenava irregularmente fogos de artifício.” Adir ainda não foi localizado e aparece, até esse momento, como investigado na delegacia que apura as causas eventuais responsabilidades pela explosão.
A principal hipótese das autoridades é de que esses fogos causaram a explosão que deixou feridas outras dez pessoas que passavam de carro pelo local. As vítimas não correm risco de morte.
Seus veículos também foram danificados com o impacto do deslocamento de ar. Vidros de janelas de imóveis vizinhos se quebraram. Câmeras de seguranças e moradores registraram a explosão.
Em 2015, Adir e outras pessoas foram absolvidas pela Justiça das acusações de “associação criminosa” porque integrariam grupo de baloeiros que cometeram “crime ambiental” na região.
Há 14 anos, Adir e outras cinco pessoas chegaram a ser detidos por policiais correndo atrás de um balão que havia caído em São José dos Campos. Soltar balões é crime porque eles podem provocar incêndios em matas e residências em áreas de matas e urbanas.
Um dos detidos usava uma “camiseta de grupo de baloeiros”. Após terem sido levados para a delegacia, eles alegaram apenas ter “visto o balão e o seguido”. E foram soltos.
Como todos negaram envolvimento com o balão que caiu na região, há dez anos a Justiça entendeu à época que “não estão comprovados os fatos narrados na denúncia ao crime de soltar balão”.
E diante disso absolveu o grupo. No Brasil, a pena para quem é condenado por soltar balões é de 1 ano a 3 anos de detenção, mais pagamento de multa.
A informação de que Adir morava na casa foi confirmada à equipe de reportagem tanto pela polícia quanto pela advogada do irmão dele (saiba mais abaixo).
Fernanda Nunes Canno, que defende os interesses de Alessandro de Oliveira Mariano, informou que o irmão dele, Adir, morava na residência sem conhecimento do seu cliente.
“Só para fins de esclarecimentos, senhor Alessandro foi locatário do imóvel há cerca de 9 anos, mas não residia lá atualmente. Só tendo tomado conhecimento que o senhor Adir residia lá recentemente através de conhecidos”, informou a advogada por meio de nota.
Segundo ela, os dois irmãos não se falam há 7 anos. Alessandro foi ouvido pela investigação porque ele aparece como o inquilino da casa onde ocorreu a explosão. A defesa não explicou porque mesmo não morando mais no local o nome dele continuava atrelado ao imóvel.
Ainda segundo Fernanda, a família Mariano não tem confirmação oficial de quem morreu na residência. “Em nome do Alessandro e de sua família venho informar que, a respeito da [possível] morte do Adir, ainda estão aguardando confirmação oficial do IML.”
A equipe de reportagem tenta contatar representantes de Adir para comentar o assunto. Em suas páginas nas redes sociais, ele aparece em fotos e comentários demonstrando seu interesse por balões e fogos de artifício.
Em uma das postagens, feita em 2017, escreveu:
“Poucos vão entender q por traz de papel cola vela e fogo existe algo inesplicavel [SIC] um sentimento de adoração e necessidade q nos leva a um lugar único e a explicação é q é um dom q Deus nos abençou (fica a saudade mais também fica a alegria de saber q foi uma pessoa especial q foi selecionada por Deus pra ter o dom desta arte) descanse em paz”, escreveu ele para homenagear um amigo que havia morrido.
Para policiais ouvidos pela reportagem, a mensagem acima faz referência a prática de se fabricar e soltar balões, o que é ilegal.
O caso foi registrado no 30º Distrito Policial (DP), no Tatuapé, como crimes de explosão, contra o meio ambiente por fabricar, vender ou soltar balões, além de lesão corporal.
