A votação, marcada para acontecer nesta quinta-feira (21), seria a quarta tentativa do Partido Democrata de aprovar uma medida que obrigue Trump a pedir autorização do Congresso para continuar a guerra no Irã. Johnson suspendeu a deliberação quando ficou claro que ela não teria votos suficientes para barrá-la. Com isso, o aliado de Trump ganhou tempo para o presidente –graças ao feriado prolongado do Memorial Day nos EUA, o Congresso entra em recesso nesta quinta e só retorna no dia 1º de junho. Enquanto isso, membros do Partido Republicano que se rebelaram contra Trump e se opõem à guerra disseram ao jornal The New York Times que da próxima vez que a medida for ao plenário, ela será aprovada. Se isso acontecer, a lei ainda precisa passar pelo Senado, também controlado pelos republicanos, antes de ir à sanção presidencial, quando certamente será vetada. Em seguida, os deputados e senadores precisariam derrubar o veto por uma maioria de dois terços em sessão conjunta, algo que, por enquanto, é bastante improvável. Mesmo assim, o descontentamento com o presidente entre a base republicana cresce. Na terça-feira (19), o Senado americano avançou uma lei semelhante à da Câmara, conseguindo superar o número necessário de votos graças à rebelião de um único senador republicano, Bill Cassidy, da Louisiana. No domingo (17), Cassidy foi derrotado nas primárias por um candidato apoiado por Trump e terá que deixar a Casa no ano que vem. Trump enfrenta hoje seus piores números de aprovação em meio a uma guerra impopular que ameaça aumentar os preços nos EUA e no mundo e pode resultar em um desastre eleitoral em novembro, quando os americanos renovam a Câmara e dois terços do Senado nas eleições de meio de mandato. Os democratas pretendem se aproveitar do momento ruim do governo. Membros da oposição vem acusando repetidamente o presidente de iniciar o conflito de maneira ilegal, uma vez que a Constituição americana dá apenas ao Legislativo o poder de declarar guerra. A Casa Branca inicialmente argumentou que o conflito não se tratava de uma guerra aberta e, portanto, não precisaria de aprovação do Congresso. Depois, disse se basear em uma cláusula regimental segundo a qual o presidente tem 60 dias para buscar apoio do Legislativo a fim de conduzir uma guerra. Quando esse prazo se esgotou, o Executivo passou a dizer que, com o cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã desde o dia 8 de abril, o prazo de 60 dias estava congelado. Em mais um sinal de que seu controle sobre o partido não é absoluto, Trump viu nesta quinta congressistas republicanos abandonarem os planos de votar um projeto de US$ 72 bilhões (R$ 360 bilhões) destinado a financiar a política de deportação em massa do governo. O movimento foi uma resposta às exigências do presidente relacionadas a gastos considerados controversos até mesmo por seus correligionários, como a criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar supostas vítimas da “instrumentalização política” do governo e outro de US$ 1 bilhão para a construção do novo salão de festas da Casa Branca. O fundo de instrumentalização pode beneficiar aliados de Trump e pessoas condenadas pelos ataques ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, quando uma turba apoiada pelo então presidente em seu primeiro mandato invadiu o Congresso para tentar impedir a certificação da vitória do democrata Joe Biden. Leia Também: Hematomas e fraturas: ativistas da flotilha falam em tortura em Israel
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