“Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”, afirmou ele diante de jornalistas. “Faço isso como um ato de responsabilidade democrática, para contribuir com a convivência, a paz e o diálogo entre colombianos.”
“Estamos convencidos de que as diferenças políticas devem ser resolvidas mediante a participação cidadã, o respeito às instituições e a deliberação pública”, continuou Cepeda.
Nos últimos dias, o país registrou protestos de apoiadores de Cepeda, muitos deles com suspeitas de fraude no escrutínio, ainda que organizações independentes descartem essa possibilidade. Os manifestantes se alimentam principalmente das acusações de Gustavo Petro, padrinho político do senador.
Embora tenha ecoado o aliado no dia do primeiro turno, Cepeda se afastou dessa retórica desde então e vinha falando que reconheceria a contagem final do órgão responsável pelo pleito -na Colômbia, há uma apuração rápida, apenas de valor informativo, e uma oficial, que demora alguns dias e tem força jurídica.
Por enquanto, a segunda contagem coincide em 99,997% com os números divulgados no domingo, segundo o Registro Nacional, entidade responsável pela apuração. O escrutínio oficial, no entanto, foi concluído apenas no primeiro nível, que se refere às zonas eleitorais, e ainda precisa ser checado em âmbito municipal, departamental e nacional.
Na segunda, ele havia afirmado que reconhecia a apuração preliminar apenas em seu caráter provisório. A justificativa era que a diferença entre os dois candidatos era muito pequena -menos de 1%, o resultado mais apertado da história da Colômbia- e que a sua campanha havia apresentado mais de 57 mil reclamações, o que poderia alterar a contagem.
Já Petro, que vem falando em fraude, sem apresentar provas consistentes, desde antes do primeiro turno, foi menos direto. Ele falou sobre os resultados na noite desta terça (23) em uma sequência de sete publicações em seu perfil no X que soma mais de 25 mil caracteres e menciona Che Guevara, Haiti, Binyamin Netanyahu e “enormes poderes computacionais”.
“Estamos divididos em dois, e é hora de reconhecer, respeitar e chegar a um acordo. O processo de reconciliação começará, juntamente com a minha retirada e talvez uma resistência pacífica”, afirmou, assumindo a entrega de poder, mas colocando em xeque a integridade do processo.
Cepeda também afirmou nesta quarta que aceitar os resultados não é aceitar o que chamou de “fatos graves que marcaram a campanha”. “Durante esse processo, denunciamos a aberta e indevida ingerência estrangeira em assuntos internos de Colômbia, particularmente as intervenções realizadas pelo governo dos Estados Unidos”, disse, em referência ao apoio que o presidente Donald Trump prestou a Espriella.
Ele falou ainda em compra de votos pela campanha adversária e manipulação por meio de inteligência artificial. “Não aceitamos essas práticas, que lesionaram a transparência desse processo e questionam a legitimidade do novo governo”, afirmou.
Por fim, ressaltou a alta votação de sua chapa, maior em números absolutos do que a de Petro em 2022, embora não suficiente para conquistar a maioria dos votos nas eleições deste ano, que registraram a maior taxa de participação da história do país.
“Este é o resultado eleitoral mais alto alcançado pelos setores progressistas e os movimentos sociais”, afirmou sobre a força da esquerda que o primeiro governo de esquerda da Colômbia deixa no cenário político. “Exerceremos uma oposição democrática, vigilante e construtiva, mas também resoluta e inabalável quando for para defender os direitos do povo.”
Leia Também: Epstein planejou chantagear Bill Gates com casos extraconjugais
Leave a comment
