“Esse ano em específico, fiquei com muito medo de repetir por falta”, relata a adolescente, que estima já ter perdido ao menos 12 dias de aula desde o início do ano letivo.
A realidade enfrentada por Ana Beatriz se repete em milhões de lares brasileiros. Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (27) pelos institutos Alana e Equidade.info aponta que quatro em cada dez meninas brasileiras que menstruam faltam à escola pelo menos uma vez por mês por causa de sintomas menstruais.
Segundo a pesquisa, cerca de 3,6 milhões de estudantes convivem com esse problema no país. O estudo também mostra que seis em cada dez meninas sofrem com cólicas fortes ou moderadas, capazes de atrapalhar atividades diárias e exigir uso de medicamentos.
A frequência das faltas aumenta conforme a intensidade das dores. Entre as meninas que deixam de ir à escola, 20,5% perdem um dia por mês, enquanto 16% ficam afastadas entre dois e cinco dias mensais.
O levantamento foi divulgado na semana do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado em 28 de maio, e ouviu 2.551 estudantes, além de professores e gestores das redes pública e privada em todo o país.
Para Sofia Reinach, líder da iniciativa de endometriose, dor pélvica e saúde menstrual do Instituto Alana, o problema ainda é invisibilizado.
“Muitas meninas e mulheres estão sofrendo com dor e tendo suas vidas afetadas por isso, mas hoje ainda há uma baixíssima visibilidade desse problema”, afirma.
O estudo também mostra que o tema continua cercado de tabu nas escolas. Ana Beatriz afirma que assuntos relacionados à saúde menstrual quase não foram abordados em sala de aula e que, quando surgiram, acabaram tratados como piada entre colegas.
A percepção sobre o impacto da menstruação também varia entre meninos e meninas. Enquanto 41,2% das alunas acreditam que o período menstrual atrapalha os estudos e atividades esportivas, apenas 23,7% dos meninos enxergam esse impacto.
Os pesquisadores alertam ainda para desigualdades raciais no acesso ao diagnóstico e no impacto das dores menstruais. Meninas negras faltam mais às aulas por questões menstruais do que meninas brancas, apesar de relatarem menos episódios de dores intensas.
A pesquisa também identificou reflexos no ambiente de trabalho. Uma em cada dez professoras afirmou ter faltado ao trabalho no último ano por motivos menstruais. Entre gestoras escolares, o índice sobe para 16,2%.
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Agência Brasil | 05:15 – 28/05/2026
