SÃO PAULO, SP (UOL/) – O funeral público de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, começa amanhã, quatro meses depois de sua morte, ocorrida em 28 de fevereiro após ataques dos Estados Unidos e Israel. O corpo do líder permaneceu refrigerado para a cerimônia.
COMO É A CONSEVAÇÃO DO CORPO?
As práticas islâmicas de sepultamento geralmente proíbem o embalsamamento químico. Devido a essa restrição, as autoridades iranianas recorreram, segundo o Hindustan Times, ao chamado “cold storage” (armazenamento refrigerado) em vez de produtos químicos de preservação.
O corpo de Khamenei foi mantido dentro de morgues forenses refrigeradas, sob condições de congelamento. As instalações são equipadas com câmaras de refrigeração de alta capacidade e baixa temperatura, o que permite preservar corpos por meses sem embalsamamento químico.
“As morgues forenses do Irã já mantêm corpos por meses, então quatro meses em congelamento não é algo exótico. É isso que os ‘padrões religiosos e legais’ cobrem”, disse Mohammed Omar, especialista em contraterrorismo, ao Fox News Digital.
A cerimônia fúnebre de Khamenei, que morreu aos 86 anos, só começou ontem. Ela se estenderá por várias cidades do Irã e do Iraque antes de seu sepultamento em Mashhad, sua cidade natal, em 9 de julho.
Khamenei não foi a única vítima, e vários de seus familiares também foram mortos durante o ataque. As autoridades iranianas preservaram seus corpos junto com o dele nas mesmas instalações de armazenamento enquanto os preparativos para o funeral continuavam.
POR QUE O FUNERAL DEMOROU TANTO?
Segundo o costume islâmico, o sepultamento deve ocorrer o mais rápido possível, idealmente dentro de 24 horas após a morte. Isso não foi possível no caso de Khamenei por questões de segurança, já que o Irã vinha enfrentando ataques militares contínuos dos EUA e de Israel.
O atraso também foi moldado por considerações logísticas. O Irã já testemunhou incidentes mortais relacionados a multidões durante grandes funerais de Estado, como o do ex-líder supremo Ruhollah Khomeini em 1989, quando incidentes de esmagamento de multidão interromperam os procedimentos de sepultamento.
Os oficiais passaram meses fazendo um plano rigorosamente controlado de segurança e movimentação. A expectativa é de que milhões participem do funeral de Khamenei.
Embora o enterro atrasado seja incomum no Islã, circunstâncias excepcionais podem permiti-lo. A jurisprudência religiosa xiita permite o adiamento do sepultamento quando a guerra ou graves ameaças de segurança tornam o enterro imediato inseguro ou impossível. Isso permitiu que as autoridades iranianas obtivessem a aprovação necessária para preservar o corpo até que as condições melhorassem.
PROGRAMAÇÃO DE DESPEDIDA
O Irã realizou ontem a primeira cerimônia de despedida com o corpo de Ali Khamenei. A programação começa com exibições públicas no sábado e domingo em Teerã, e uma procissão fúnebre está marcada para segunda-feira -as autoridades estimam a presença de 15 a 20 milhões de pessoas. Outra procissão está prevista para o dia seguinte em Qom, uma das cidades sagradas do Islã xiita.
De acordo com a Iran International, Teerã também está preparando uma enorme operação de segurança para o funeral. “O Basij (milícia paramilitar) e a IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica) comandando isso não é um detalhe. O Basij (milícia paramilitar) está coordenando a logística -rodovias transformadas em estacionamentos, cada distrito de Teerã designado para uma província, cinco feriados públicos declarados- e a Guarda cuida do controle de multidões”, explica Mohammed.
SUCESSÃO NO IRÃ
Mojtaba Khamenei assumiu como novo líder supremo. Filho de Ali Khamenei, ele se tornou o terceiro líder supremo da República Islâmica, cargo criado após a Revolução Islâmica de 1979.
Ele não aparece em público desde o início da guerra. Segundo a agência de notícias Reuters, Mojtaba ficou gravemente ferido no ataque que matou o pai. A ausência pública dele ocorre em meio ao esforço do regime para demonstrar estabilidade após a morte de Khamenei.
O funeral será observado também como teste político para Mojtaba. O Telegraph afirma que a cerimônia pode ser uma oportunidade para o novo líder supremo consolidar sua autoridade. A publicação diz que a eventual presença dele nas orações fúnebres será acompanhada como sinal de quanto ele pretende se expor publicamente.
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