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RR NOTÍCIAS > Blog > Mundo > Do “não” ao uso das bases à ameaça de Trump: A tensão entre Espanha e EUA
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Do “não” ao uso das bases à ameaça de Trump: A tensão entre Espanha e EUA

Last updated: 4 de março de 2026 16:42
Gabriel Published 4 de março de 2026
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A Espanha rejeitou o uso de bases militares pelos Estados Unidos para ataques contra o Irã — ao mesmo tempo em que condenou a ofensiva —, o que provocou uma resposta do presidente Donald Trump, que ameaçou impor um bloqueio comercial, suspendendo “tudo o que estiver relacionado com a Espanha, todos os negócios relacionados com a Espanha”.

As reações não demoraram, e a Comissão Europeia garantiu nesta quarta-feira, 4 de março, que está pronta para agir e proteger os interesses comerciais da União Europeia.
 O que está acontecendo entre Espanha e Estados Unidos?Na última segunda-feira, dia 2, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que o país não permitirá que suas bases militares — operadas conjuntamente por EUA e Espanha, mas sob soberania espanhola — sejam utilizadas para ataques contra o Irã.
“As bases espanholas não estão sendo usadas para essa operação e não serão usadas para nada que não esteja previsto no acordo com os Estados Unidos ou que não esteja de acordo com a Carta das Nações Unidas”, disse Albares em entrevista à emissora espanhola Telecinco, citada pela Reuters.
Com isso, quinze aeronaves norte-americanas foram obrigadas a deixar as bases de Rota (em Cádiz) e Morón (em Sevilha), no sul da Espanha, desde que EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã no último fim de semana.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou que as aeronaves — principalmente aviões-tanque de reabastecimento aéreo, como o Boeing KC-135 Stratotanker — estavam permanentemente estacionadas na Espanha.
Inicialmente, o Reino Unido também havia recusado permitir o uso de suas bases para um ataque ao Irã, mas mudou de posição no domingo, quando o primeiro-ministro Keir Starmer autorizou a medida sob o argumento de “autodefesa coletiva de países amigos e aliados de longa data e proteção de vidas britânicas”.
Ainda na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, criticou a posição do governo espanhol e questionou: “Isso é estar do lado certo da história?”

Primero Hamas les agradecen a Sánchez. Después los Huthis le agradecieron a Sánchez. Ahora Irán le agradecen.Eso es estar en el “lado correcto” de la historia? pic.twitter.com/9moC6A3L1X
— Gideon Sa’ar | גדעון סער (@gidonsaar) March 2, 2026

No dia seguinte, 3 de março, em coletiva em Madri, Albares reiterou a condenação da Espanha aos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, por se tratar, segundo ele, de uma operação unilateral, fora do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.
Ele também afirmou que os ataques não se enquadram no acordo bilateral entre Espanha e EUA para o uso das bases militares espanholas, destacando que o país não espera “nenhuma consequência” ou retaliação por essa posição.
 Trump ameaça: “Parar tudo”
A resposta norte-americana veio na terça-feira, quando Trump ameaçou cortar todo o comércio com a Espanha devido à posição do governo liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez.
“Parar tudo o que estiver relacionado com a Espanha, todos os negócios relacionados com a Espanha”, declarou Trump na Casa Branca, durante encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz.
Além da postura espanhola sobre o Irã, Trump também criticou a decisão da Espanha de não elevar para 5% do PIB o orçamento de Defesa, como defendido por outros membros da NATO.
O governo espanhol respondeu que seus acordos comerciais com os EUA são feitos dentro do marco da União Europeia.
Fontes oficiais afirmaram que a Espanha é uma potência exportadora da UE e mantém com os EUA uma “relação comercial histórica mutuamente benéfica”. Acrescentaram ainda que, caso haja revisão dessa relação, ela deverá respeitar a legalidade internacional e os acordos bilaterais entre UE e EUA.

España está con la Constitución, con la UE, con la ONU y con el derecho internacional.Estamos con la paz, la convivencia y la prosperidad que benefician a todos.El futuro no está escrito. La espiral de violencia es evitable. pic.twitter.com/cZEwlJpplI
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) March 4, 2026

“Não vamos agir por medo de represálias”
Nesta quarta-feira, Pedro Sánchez se pronunciou diretamente sobre a tensão com os EUA. Ele afirmou que é contra a guerra no Oriente Médio iniciada pelos ataques de EUA e Israel ao Irã e que não mudará de posição “simplesmente por medo de represálias”.
“Repudiamos o regime do Irã, que reprime e mata brutalmente seus cidadãos, especialmente as mulheres, mas também rejeitamos o conflito e pedimos uma solução diplomática e política”, declarou.
Segundo Sánchez, a posição espanhola é “coerente” com a adotada em relação a outros conflitos internacionais, como Ucrânia, Gaza, Groenlândia e Venezuela.
“Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo e contrário aos nossos interesses simplesmente por medo de represálias”, afirmou.
Ele também ressaltou que a Espanha é membro pleno da União Europeia, da NATO e da comunidade internacional, defendendo que é preciso exigir que EUA, Irã e Israel cessem as hostilidades antes que seja tarde demais.

I have just held a call with President @sanchezcastejon to express the EU’s full solidarity with Spain.The EU will always ensure that the interests of its Member States are fully protected.We reaffirm our firm commitment to the principles of international law and the…
— António Costa (@eucopresident) March 4, 2026

E a Europa?
A Comissão Europeia afirmou estar pronta para agir para proteger os interesses comerciais do bloco.
“Estamos em total solidariedade com todos os Estados-membros e seus cidadãos e, por meio da nossa política comercial comum, estamos prontos para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da União”, declarou o porta-voz para Comércio, Olof Gill.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também manifestou solidariedade à Espanha, afirmando ter expressado “pleno apoio da UE” em conversa telefônica com Pedro Sánchez.
Já o vice-presidente executivo da Comissão Europeia para Prosperidade e Estratégia Industrial, Stéphane Séjourné, declarou que “qualquer ameaça comercial contra um Estado-membro é, por definição, uma ameaça contra a União Europeia”.

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