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Em 3 dias, moradores inundam Justiça com 20 pedidos de indenização contra JBS por espalhar mau cheiro em Campo Grande

Last updated: 5 de março de 2024 07:29
rrnoticias Published 5 de março de 2024
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Em um intervalo de três dias, moradores do bairro Nova Campo Grande entraram com várias ações na Justiça contra o frigorífico JBS S/A, localizado na Avenida Duque de Caxias, para cobrar providências e indenizações contra a “podridão” que castiga a região Imbirussu. A unidade é a mesma que foi multada em R$ 100 mil pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), na última semana, em razão do mau cheiro.

Contents
Enjoo e dor de cabeçaMedidas contra mau cheiroJBS multada em R$ 100 mil 

No total, são 20 processos protocolados entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, pelo advogado Francisco das Chagas de Siqueira Júnior, do escritório Siqueira & Biava Advogados. As ações pedem indenizações por danos morais ambientais combinados com dano material (perdas e danos) e obrigação de fazer. 

O valor pedido varia de R$ 25 mil, R$ 50 mil, R$ 75 mil ou R$ 150 mil a depender da quantidade de pessoas que entraram contra o frigorífico no mesmo processo. Além disso, também é pedido indenização por desvalorização dos imóveis da região. 

Em uma das ações, os advogados apontam que a unidade I da JBS S/A opera atividade potencialmente poluidora que gera “incômodo e aflição” nos moradores da região e os obriga a se trancar nos imóveis para fugir dos transtornos.

“Vale destacar, que o Frigorífico trabalha de forma ininterrupta (24 horas), lançando ao ar resíduos tóxicos de sua produção (queima de fornos) que, conforme a direção do vento é espalhada por todas as casas vizinhas num raio de diversos quarteirões, gerando diversos problemas (enjoo, náuseas etc.), e, não só pelos transtornos causados, mas também por medo, já que é altamente tóxico”, argumentam. 

Enjoo e dor de cabeça

Outro ponto destacado é que o fedor atinge diretamente mais de cem mil moradores. No caso específico da moradora que entrou com o processo, são relatados sintomas de enjoo e dores de cabeça devido ao mau cheiro. O incômodo da mulher com a situação já dura mais de uma década.

Ainda são citados os artigos 1.277 a 1.279 do Código Civil, que tratam sobre o Direito de Vizinhança, para argumentar sobre a “má utilização da propriedade do Frigorífico JBS S/A UNIDADE 1”, o que estaria prejudicando a qualidade de vida dos moradores.

Além disso, é apontado que a empresa não teria adotado medidas para mitigar os odores que estariam vindo da planta frigorífica. Mesmo que a atividade desenvolvida seja lícita e que tenha feito estudos prévios obrigatórios, afirmam que isso não afastaria a responsabilidade da JBS sobre os danos causados na região.

“Observa-se das perícias realizadas no local, conforme reportagens em anexo, no que concerne ao Frigorífico JBS S/A Unidade I, a sua responsabilidade decorre de falha de projeto, e ainda, de vício na execução dos drenos de gás, sendo constatado a construção de uma nova lagoa de sistema de tratamento de esgoto realizada entre o fim de 2018 e início de 2019”, dizem. 

O texto ainda continua expondo o resultado de uma avaliação de técnicos sobre a lagoa de tratamento de esgoto construída em 2019, que foi apontada como fonte da “poluição olfativa” na região.

A petição da moradora ainda culpa a JBS pela fumaça fétida, riscos à saúde – como dor de cabeça, enjoos e náuseas – e a lagoa de tratamento de esgoto com dreno de gás a céu aberto.

Vale lembrar que as lagoas de tratamento de efluentes desta planta da JBS são alvos de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) há 14 anos com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), com uma série de exigências, que ainda não foram totalmente cumpridas e deixam a população à mercê da fedentina. 

Além disso, no decorrer do processo, a indústria chegou a pagar multa de R$ 500 mil (meio milhão de reais) e, ainda assim, a situação que afeta, inclusive, o comércio da região, persiste.

Outro ponto destacado é que os moradores “estão prisioneiros dentro da própria residência”, o que causa perda do “sagrado” sossego, aconchego, lazer, tranquilidade e paz. 

Outro conflito sobre as casas é a desvalorização dos imóveis ao longo dos anos. Alguns vizinhos, inclusive, teriam até vendido a residência “para fugir da situação de ‘PÂNICO’ com tão grave ameaça à saúde (poluição olfativa)”. 

“[…] Neste tópico vale ressaltar que, a parte Requerente figura como consumidor na presente actio, impondo-se, assim, a inversão do ônus da prova, para que a Requerida (JBS S/A), arque com o ônus da perícia para constatar a desvalorização imobiliária da região”, diz a petição. 

A parte também manifestou o desinteresse na realização de audiência de conciliação, pois a empresa em outras ocasiões não teria demonstrado propostas e interesse de acordo, se tornando infrutíferas. 

Medidas contra mau cheiro

Além do pedido de indenizações sobre os transtornos à saúde e desvalorização imobiliária, os processos pedem que a JBS/SA seja condenada a implantar medidas eficientes para eliminar a fumaça fétida e o mau cheiro. 

Sobre a lagoa, “que serve de esgoto a céu aberto”, a solicitação é que sejam colocados drenos de ar para resolver o problema da fedentina.

“[…] para eliminação dos fortes odores (mau cheiro) causado pela ineficiência dos seus drenos de ar, bem como nas vazões de suas chaminés com a proliferação de fumaça fétida (poluição atmosférica), comprovando-se nos autos mediante a apresentação de laudos técnicos a eficácia das providências adotadas”, pedem. 

Os processos até o momento contam somente com a petição e documentos anexados. Ainda não passaram pela apreciação de um juiz.

O Midiamax tentou conversar via telefone e presencialmente com o advogado responsável pelas ações, mas não conseguiu contato. O espaço continua aberto para manifestações. 

A reportagem também solicitou à JBS posicionamento sobre a enxurrada de ações e aguarda resposta. As tentativas de contato foram devidamente registradas e o espaço segue aberto.

JBS multada em R$ 100 mil 

A mesma unidade da JBS foi multada em R$ 100 mil por irregularidades. O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) realizou nova vistoria ao frigorífico JBS/SA, na Avenida Duque de Caxias, bairro Nova Campo Grande. O novo relatório produzido pelo órgão ambiental vai na contramão da conclusão de fiscalização anterior feita há quatro meses em que tentava livrar o frigorífico de culpa por onda de mau cheiro.

Dessa vez, os fiscais detectaram série de irregularidades e aplicaram multa de R$ 100 mil ao frigorífico da JBS, empresa que tem lucro líquido médio de R$ 190 milhões por mês – conforme balanço divulgado pela própria empresa referente ao 3º trimestre de 2023. 

Portanto, os fiscais notificaram a empresa a corrigir sete pontos para tentar ‘sanar’ o problema do mau cheiro, provocado pelos dejetos provenientes do abate de gado no local.

Na fiscalização mais recente – em 21 de fevereiro de 2024 –, a empresa foi autuada e multada por infringir o artigo 62 do Decreto Federal 6.514/08, inciso V, que envolve “lançar resíduos sólidos, líquidos ou gasosos ou detritos, óleos ou substâncias oleosas em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou atos normativos”. 

“Não é sempre que fica o cheiro, fica sempre durante o dia, mas ontem ficou muito pior, parecia uma fumaça, névoa muito fedida […] o cheiro já estava forte às 23h e ficou mais evidente às 2h, tinha que trabalhar no dia seguinte”, disse na época.

“Todo mundo reclama, dá até vergonha de trazer uma visita para jantar e almoçar. Antes tinha horário e com o calor nem tem como fechar a casa que fica toda com mau cheiro”, relatou outro morador.

Fonte – Midiamax

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