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RR NOTÍCIAS > Blog > RRMais > Escassez de pequi em MS faz produtores importarem iguaria e valor assusta cliente
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Escassez de pequi em MS faz produtores importarem iguaria e valor assusta cliente

Last updated: 31 de janeiro de 2024 09:59
rrnoticias Published 31 de janeiro de 2024
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Iguaria na culinária de Mato Grosso do Sul, o pequi extrapola o sabor forte do cerrado. Apesar de ser tradicional por aqui, a produção no último trimestre não vingou no solo e obrigou famílias a importarem fruto de estados vizinhos no Centro Oeste. O valor subiu nos pontos de venda e assustou o consumidor.

Na Feira Indígena, ao lado do Mercadão de Campo Grande, os saquinhos, que costumavam ser vendidos de R$ 15 a 20, custam de R$ 30 a 50. A estrela dos pratos pantaneiros tem produção e colheira entre dezembro e janeiro.

O que seria um período de fortes vendas, desanimou Rute Pereira, que está no local há 30 anos. Ela explica que as árvores de pequi floresceram, entretanto, caiu sem fruto. A vendedora comprava mercadoria de Aquidauana, entretanto, teve que importar de Goiás.

“Pequi dá em qualquer lugar com pedra e areoso, mas esse ano não deu nada. Acho que foi calor e a chuva demais, mudança no tempo. É muito procurado, muita gente que gosta, nessa época é a iguaria que movimenta as vendas. Como compramos de Goiás tivemos que subir um pouco para não ficar ainda mais no prejuízo”.

A produção encerra nos primeiros dias de fevereiro e, segundo Rute, essa é a hora dos consumidores comprarem. “Tem que aproveitar. Eu mesma, se deixar, como uma bacia inteira”.

Manita Mota explica que a dificuldade na produção se estende para outras frutas típicas, como a guavira e caju. As delícias “desapareceram” em um período típico de colheita.

“A guavira não teve onde comprar, ficou em falta. Os clientes acham que estamos vendendo muito caro, dizendo que é porque é algo que dá no mato que não podemos vender nesse valor, mas ninguém sabe da situação difícil. Isso aqui é a nossa sobrevivência”.

A venda dos frutos eram tão comuns que normalmente era fácil encontrar vendedoras ao longo da Rua 14 de Julho, no Centro, com as bacias fartas da iguaria. Nos últimos dias, a procura foi cansativa por quem costumava comprar barato, como conta a professora aposentada Mara Silva Carvalho.

“Eu estou desesperada para comer pequi, mas está muito caro, comprava por R$ 20. Eu fui criada no interior e cresci comendo bacias de pequi. Em Rio Negro, é tradição fazer conserva que dura anos, licor, na água e sal, no arroz ou com frango. É de lamber os beiços. Esse ano eu procurei bastante, mas não achei barato”.

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