Os quatro foram colocados pela companhia aérea no hotel Tryp by Wyndham, que fica localizado dentro do aeroporto, e não podem deixar o local sem autorização das autoridades. A empresa custeia a estadia da mulher e das crianças, mas não a de Montaser.
Nesta sexta-feira (24), a egípcia, grávida de 34 semanas, precisou ser levada ao Hospital São Luiz de Guarulhos. Lá, foram constatadas infecção urinária e presença de sangue na urina da gestante -um fator de risco para parto prematuro. A Folha de S.Paulo teve acesso aos laudos de exames.
Segundo o engenheiro civil, que conversou com a Folha por telefone, a assistência médica havia sido solicitada à Polícia Federal ainda na noite de quinta-feira (23), quando sua esposa teve fortes dores no baixo ventre e parou de sentir movimentos do feto.Apesar disso, ele teria sido informado de que o pedido de uma ambulância para avaliação hospitalar fora negado. O translado aconteceu apenas na manhã desta sexta.
Montaser contou que viajava com a família vindo da Arábia Saudita e que vivia atualmente no Bahrein. Ele deixou o Egito em 2015, após ser condenado a três anos de prisão com trabalhos forçados por participar de manifestações contra o ditador Abdel Fattah al-Sisi.
Ao chegar ao Brasil, com um visto de turista, teve a entrada negada. “Isso nunca me aconteceu, eu já visitei mais de 15 países, tenho visto para o espaço Schengen (zona de livre circulação na União Europeia), para países do golfo Pérsico que possuem restrições muito severas”, afirmou.
De acordo com o advogado da família, William Fernandes, Montaser foi considerado indivíduo perigoso com base na portaria 770/2019 do Ministério da Justiça, que estabeleceu critérios para impedimento de entrada de pessoas no país.
De acordo com o texto, devem ser impedidas de entrar no Brasil pessoas que tenham ligação com terrorismo e grupos criminosos, além de com grupos ligados a tráfico de drogas, pessoas e armas de fogo ou ainda a pornografia ou exploração sexual de menores.
Montaser e o advogado afirmam não terem sido informados do motivo pelo qual a família foi enquadrada na portaria do Ministério da Justiça e negam qualquer vínculo criminoso. Além disso, expressam preocupação com a possibilidade de deportação, que poderia levá-los de volta ao Egito, onde Montaser pode ser preso.
Procuradas, as assessorias da Polícia Federal e do aeroporto de Guarulhos não responderam até a publicação desta reportagem.
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