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RR NOTÍCIAS > Blog > Sem categoria > Filha de chefe do PCC sequestrada pelo próprio pai vira assistente de acusação no caso
Sem categoria

Filha de chefe do PCC sequestrada pelo próprio pai vira assistente de acusação no caso

Last updated: 7 de março de 2026 08:00
Marinara Rossignol Published 7 de março de 2026
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CNJ pede explicações para desembargador que soltou Palermo
A Justiça permitiu que Gabrielly Sanches Palermo, de 25 anos, filha do chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Gerson Palermo, se torne assistente de acusação no processo criminal contra o próprio pai, onde foi vítima de sequestro e extorsão.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Palermo teria planejado o sequestro da filha para exigir do ex-sogro o pagamento de uma suposta dívida de US$ 100 mil dólares (cerca de R$524 mil).
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O marido de Gabrielly, Weslley Henrique Sorti de Almeida, também requereu a habilitação como assistente de acusação.
Segundo o MPMS, Gerson teria organizado o sequestro para exigir dinheiro de Salvador Sanches, avô da vítima, e de Weslley. O valor citado na investigação varia entre US$ 100 mil dólares e 200 mil euros, quantia que o acusado afirmou ter deixado guardada com o ex-sogro em 2015.
De acordo com a denúncia, Reinaldo Silva de Farias é apontado como cúmplice na execução do crime. Ele teria mantido a vítima em cativeiro em casa própria e feito as ligações para pressionar a família a pagar o resgate. Em uma das ameaças, teria enviado uma foto da vítima amarrada no chão.
O g1 não localizou as defesas de Reinaldo Silva de Farias, Gabrielly Sanches Palermo e Weslley Henrique Sorti de Almeida, até a última atualização desta reportagem.
Resgate da vítima
O crime aconteceu em outubro de 2025 e o caso foi investigado pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).
A vítima foi localizada e liberada pelos policiais no dia 25 de outubro, no bairro Moreninhas, em Campo Grande. Após o resgate, Gabrielly relatou que sofreu agressões e ameaças durante o período em que ficou em cativeiro.
“A vítima relatou ter sido agredida com chutes, socos, puxões de cabelo e coronhadas de arma de fogo na cabeça, além de ter permanecido amarrada”, diz a denúncia.
Segundo a investigação, o marido da vítima também recebeu ameaças. Os suspeitos exigiam o pagamento do resgate, que não chegou a ser pago.
Suspeito preso e investigação
Durante as buscas, policiais prenderam Reinaldo Silva de Farias, de 34 anos. Com ele, os investigadores apreenderam armas de fogo, celulares e um veículo usado no crime.
A polícia também identificou a casa usada como cativeiro, que passou por perícia.
Inicialmente, Reinaldo foi preso em flagrante pelos crimes de extorsão mediante sequestro, posse de arma de fogo de uso restrito e ameaça. Posteriormente, decisões judiciais concederam liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica e restrições de distância.
Quem é Gerson Palermo
Preso após investigações da Polícia Federal por tráfico internacional de drogas e também condenado pelo sequestro de um avião em 2000, ele cumpria pena em presídio federal de segurança máxima até deixar a cadeia, em 2020, por decisão judicial. Poucas horas depois, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu.
Atualmente, está na lista dos mais procurados do Sistema Único de Segurança Pública.
Gerson Palermo foi condenado a 126 anos de cadeia.
Redes sociais/Reprodução
O nome de Palermo aparece em investigações de grande impacto contra o crime organizado. Ele foi apontado como chefe do PCC, facção criminosa com atuação dentro e fora dos presídios.
O sequestro do Boeing e a primeira grande condenação
Em agosto de 2000, Palermo participou do sequestro de um Boeing 727 da empresa Vasp. O avião decolou do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. Cerca de 20 minutos depois, foi tomado pelo grupo criminoso.
A aeronave foi obrigada a pousar em Porecatu, no Paraná. No local, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil com cerca de R$ 5,5 milhões. Pelo crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.
Prisão e investigação por tráfico internacional
Anos depois, ele voltou ao centro de outra grande investigação. Em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In para desmontar um esquema de tráfico internacional de drogas. Palermo foi apontado como um dos chefes da organização.
Segundo as investigações, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS). Depois, era transportada em caminhões para outros estados do país. A operação ocorreu em seis estados e apreendeu 810 quilos de cocaína.
Pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, ele foi condenado a mais 59 anos de prisão. Somadas, as penas chegam a quase 126 anos.
Após as condenações, Palermo foi preso e encaminhado ao presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, onde cumpria pena em regime fechado.
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A saída do presídio e a fuga
Mesmo com o histórico criminal e a longa pena, Palermo deixou o presídio federal em 2020.
A soltura foi autorizada pelo então desembargador Divoncir Schreiner Maran, que concedeu prisão domiciliar sob a justificativa de problemas de saúde.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada.
Punição ao magistrado
A decisão que concedeu a prisão domiciliar foi posteriormente anulada. Em fevereiro deste ano, o CNJ aplicou ao desembargador a pena de aposentadoria compulsória. O órgão concluiu que houve violação aos deveres da magistratura.
Segundo o relator do processo, conselheiro João Paulo Schoucair, a medida foi tomada sem comprovação médica e extrapolou os limites da atuação judicial.
O CNJ também apontou que investigações da Polícia Federal identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado.
Gerson Palermo
Reprodução
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