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RR NOTÍCIAS > Blog > Brasil > Mariana Ferrer diz que reconhecer direitos de vítimas não reduz garantias de acusados
Mariana Ferrer diz que reconhecer direitos das vítimas não reduz garantias de acusados
Brasil

Mariana Ferrer diz que reconhecer direitos de vítimas não reduz garantias de acusados

Last updated: 4 de julho de 2026 13:52
rrnoticias Published 4 de julho de 2026
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Em evento na seccional mineira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ela destacou os avanços promovidos pela lei que leva seu nome e ressaltou que “reconhecer os direitos das vítimas jamais significará reduzir as garantias dos acusados”.
Ao analisar o caso dela, os ministros apontaram a humilhação a que foi submetida pelo advogado do empresário André de Camargo Aranha.
Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou na ocasião que Mariana Ferrer recebeu tratamento “cruel e vergonhoso” por parte da defesa do acusado. Os novos representantes de Aranha reafirmaram sua inocência.
O Supremo determinou, assim, que são nulas as provas obtidas em processos por crimes sexuais com desrespeito aos direitos fundamentais da vítima, sua dignidade, honra, intimidade e integridade psicológica. O caso de Ferrer terá novo julgamento em Santa Catarina em data a ser definida.
“A Constituição não protege apenas quem responde ao processo. Ela protege toda pessoa cuja dignidade possa ser afetada pela atuação do Estado”, afirmou Ferrer no discurso desta sexta.
O posicionamento faz parte de uma fala preparada para o evento idealizado pela Comissão de Enfrentamentos à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, da seccional.
Na sala da ESA (Escola Superior de Advocacia), ela afirmou que a Lei 14.245, de 2021, a Lei Mariana Ferrer, ultrapassou os limites de uma reforma processual para inaugurar “um novo paradigma de proteção da dignidade da pessoa vitimada”.
A norma, destacou ela, marcou uma mudança na forma como o ordenamento jurídico passa a compreender os direitos das vítimas.
Ferrer sustentou que o principal legado da legislação ainda está em construção. Para ela, a lei tem potencial para evoluir e consolidar um regime permanente de proteção às vítimas no país.
De acordo com ela, que preside o Intervid (Forum Internacional de Direito das Vítimas), a maior transformação promovida pela legislação foi alterar a posição da vítima dentro do sistema de Justiça. “Pela primeira vez, a vítima deixa de ser compreendida apenas como sujeito da prova para ocupar, definitivamente, a condição de sujeito de direitos.”
Ela afirmou que essa mudança ultrapassa o processo penal e deve orientar toda a atuação estatal, alcançando universidades, instituições de ensino, empresas, órgãos públicos e qualquer ambiente em que a dignidade da pessoa humana deva ser preservada.
Ao encerrar a fala, a jurista fez uma reflexão sobre o futuro diante do avanço da inteligência artificial. Para ela, o desafio não é apenas tecnológico, mas constitucional.
“A verdadeira pergunta é outra: ela será capaz de identificar a violência institucional? Impedir a revitimização? Será capaz de compreender que nenhuma busca pela verdade processual justifica a violação da dignidade humana?”, questionou.
“Tenho a convicção de que o maior legado da Lei Mariana Ferrer ainda pertence ao futuro.” Ela reforçou o desejo de construir “um futuro em que nenhuma pessoa precise escolher entre buscar Justiça e preservar sua dignidade”.
Nesta sexta-feira (3), o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) tornou pública uma carta enviada ao Estado brasileiro em que aponta possíveis violações processuais no caso de Ferrer e pede informações sobre a existência de investigações disciplinares conduzidas pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), além de questionar se foram adotadas medidas de reparação à vítima.
Leia Também: Celular do tenente irmão de Eloá não foi entregue para a investigação policial

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