Internamente, o entendimento da PGR é de que tratativas de um acordo da dimensão do que o dono do Banco Master tenta fazer não se encerram na primeira proposta, e nem de maneira rápida.
O processo, de acordo com a visão do órgão, é lento e deve ser feito levando em conta expectativas razoáveis de tempo.
A delação depende, por exemplo, de que o colaborador se lembre de detalhes dos episódios que devem ser relatados e de que a defesa consiga levantar documentos e outras provas que comprovem essas situações.
A continuidade da negociação não significa que a PGR irá aceitar a colaboração, mas que pretende aguardar os novos elementos apontados pelas defesas para decidir se dará continuidade ao procedimento.
Na noite desta quarta-feira (20), a PF rejeitou o acordo do ex-banqueiro por considerar as informações apresentadas por Vorcaro como insuficientes.
A avaliação da PF é que os relatos feitos pelo ex-banqueiro não eram relevantes para justificar a colaboração e que não foram além das provas que já haviam sido obtidas nas apurações do caso.
Formalmente, Vorcaro ainda pode apresentar novas informações também à PF, na tentativa de convencê-los a aceitar um acordo. Autoridades que acompanham o caso, no entanto, afirmam ser pouco provável que ele tenha sucesso com a corporação.
As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa de Vorcaro no último dia 6, mas investigadores da PF e da PGR consideraram fracas as informações que o ex-banqueiro pretendia fornecer.
Uma pessoa diretamente envolvida no caso aponta, de forma reservada, que Vorcaro não admitiu nos anexos entregues aos órgãos fatos que constam em seus próprios celulares, apreendidos em fases da operação Compliance Zero.
Alguns termos da proposta apresentada por Vorcaro também enfrentam resistência na PGR. Um dos itens que contrariaram a PF e também têm resistência de procuradores foi a proposta de devolver cerca de R$ 40 bilhões em 10 anos.
Como a Folha mostrou, a PF e a PGR querem que ele ressarça R$ 60 bilhões que teria desviado em fraudes do Banco Master e em um prazo mais curto.
Vorcaro é considerado o líder do esquema investigado, e por isso as autoridades consideram que os termos aplicados a ele na negociação devem ser rígidos. Os custos da quebra do Master superam os R$ 57 bilhões até o momento, segundo dados divulgados.
Para que a delação de Vorcaro seja validada, ela ainda deve passar pelo crivo do ministro André Mendonça, relator das investigações da Operação Compliance Zero no STF (Supremo Tribunal Federal).
Polícia Federal rejeitou proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por considerar que o ex-banqueiro não apresentou informações relevantes nem admitiu integralmente os crimes investigados no esquema bilionário de fraudes financeiras
| 04:15 – 21/05/2026
