“Você vê falhas de um candidato -e com todo o respeito a ele, Flávio- em se colocar também numa sessão nos Estados Unidos e dizer que adie a tarifação a partir da eleição”, disse Caiado em evento da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília. “É inaceitável isso. Você tem que estar dentro de um jogo para saber qual é o peso e o significado do país.”
“Isso tem sido uma atitude infeliz por parte do pré-candidato Flávio Bolsonaro, já que este assunto não deve ser tratado apenas no interstício da campanha eleitoral”, afirmou Caiado mais tarde, em conversa com jornalistas. “Nós estaríamos convalidando o populismo irresponsável do Lula (…) com a visão única de 4 de outubro.”
Flávio argumentou, em documento enviado ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que o tarifaço do ano passado foi utilizado politicamente pelo governo Lula (PT) e pediu que a aplicação de novas taxas seja adiada, pelo menos, até depois das eleições de modo a evitar um novo bônus político ao presidente.
“As tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, disse Flávio, pré-candidato do PL à Presidência.
Após enviar esse dossiê, Flávio participou, na terça-feira (7), de audiência pública promovida pelo USTR -que é o órgão responsável pelas investigações comerciais que propuseram novas tarifas de 37,5% às exportações brasileiras- e repetiu o argumento, dizendo que agora seria o pior momento para implantar novas taxas.
Em sua fala no evento da CNC, Ronaldo Caiado ainda criticou o que seria uma postura ideológica da chancelaria brasileira, o Itamaraty, e disse que o Brasil sofre pressões simultâneas dos EUA, da China e da Europa -citando barreiras regulatórias europeias, as cotas chinesas e o tarifaço americano.
“Hoje os americanos nos ameaçam com 25% (de tarifa) pela seção 301. (Com) a União Europeia acabamos de fazer o acordo (UE-Mercosul) e disseram: ‘estamos enxergando uso de antibiótico fora dos padrões, cancelaremos as importações de carne'”, afirmou. “Aí vem a China e diz: ‘vocês já atingiram a cota (da carne). A partir de agora vocês têm que pagar 55% mais 12,5%.”
‘SE VOCÊ VOTAR NO FLÁVIO, VAI REELEGER O LULA’, DIZ CAIADO
Questionado por jornalistas sobre os efeitos do caso “Dark Horse” na campanha eleitoral, Caiado respondeu que o “grande divisor de águas” capaz de dar condições aos candidatos de debater com o PT será a “conduta moral, de envolvimento em corrupção”.
“Todas as pessoas sabem, muitos ainda não querem confessar: Se você votar no Flávio, vai reeleger o Lula”, disse o ex-governador. “A candidatura dele (Flávio) está sendo construída como sendo a candidatura que o PT deseja.”
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