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Taxa de mortalidade em centros de detenção do ICE mais que dobra sob Trump
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Taxa de mortalidade em centros de detenção do ICE mais que dobra sob Trump

Last updated: 17 de junho de 2026 10:43
Gabriel Published 17 de junho de 2026
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SÃO PAULO, SP (UOL/) – A taxa de mortalidade em centros de detenção de imigrantes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) mais que dobrou sob o governo de Donald Trump, segundo análise da Reuters com dados da própria agência.

Registros contabilizam 50 mortes em centros de detenção desde o início da campanha de deportação em massa, em janeiro de 2025. No período de 2009 a 2024, a média era de uma morte por ano a cada 3.848 detidos, e agora passou para cerca de uma a cada 1.630 pessoas, com números preliminares até o começo de junho.
Dados usados na análise foram obtidos via Lei de Acesso à Informação por um projeto de monitoramento e processados por uma organização sem fins lucrativos. A Reuters relata que o Deportation Data Project conseguiu os registros e que o Vera Institute of Justice fez o tratamento das informações.
Especialistas ouvidos pela agência dizem que as causas das mortes podem ser complexas, mas veem sinais de problemas de supervisão e de atendimento médico. Para a médica Chanelle Diaz, professora assistente no Centro Médico Irving da Universidade de Columbia, os registros sugerem que a agência está encarcerando pessoas com maior vulnerabilidade clínica, o que leva a um “aumento repentino de mortes evitáveis”.
Parte das ocorrências foi registrada quando a pessoa já estava morta ou inconsciente, o que reforça o alerta sobre monitoramento. Vinte e um casos se enquadram nessa situação, incluindo dez suicídios. O médico Sanjay Basu, da Universidade da Califórnia em São Francisco, disse à Reuters que isso pode indicar falhas de supervisão da saúde física e mental e de resposta a tempo.
Problemas cardiovasculares aparecem como a principal causa listada, o que pode indicar falhas em triagens e no controle de doenças crônicas. Ataques cardíacos e outras complicações do tipo responderam por 16 mortes, e Diaz afirmou que “o sistema não foi projetado para o gerenciamento de cuidados crônicos”.
O Departamento de Segurança Interna diz que mantém padrões de cuidado nos centros. Em comunicado à Reuters, a porta-voz Lauren Bis afirmou que “os indivíduos recebem atendimento médico completo desde o momento da chegada e durante toda a sua estadia”.
ALGUNS DOS CASOS
Um dos episódios envolve Tuan Van Bui, vietnamita, 55, que desmaiou em um centro de Indiana. Detentos do local apelidado pelo governo Trump como “Speedway Slammer” (um apelido que mistura referências ao automobilismo de Indiana e uma gíria em inglês para prisão) disseram à Reuters que houve gritos por ajuda e que um guarda levou cerca de 15 minutos para chegar; o iraquiano Ibrahim Ibrahim relatou que tentou fazer reanimação. “Quando a equipe médica chegou, ele já estava morto.”
O ICE registrou que a equipe iniciou manobras de reanimação, usou desfibrilador e acionou o serviço de emergência antes de um médico declarar a morte. A enteada de Bui, Ly Wang, disse à reportagem que a família se preparava para a deportação, mas não para o desfecho fatal: “O pior cenário para nós era que ele fosse deportado, não que ele fosse morrer.”
Outro caso citado é o de Santos Reyes Banegas, hondurenho que morreu em setembro de 2025 em uma unidade do Condado de Nassau, em Long Island, após sinais de abstinência de álcool. A médica Michele Heisler, da organização Médicos pelos Direitos Humanos, disse à Reuters que a situação “levanta a questão de por que ele não foi encaminhado imediatamente para um pronto-socorro”.
Houve ainda o suicídio de Chaofeng Ge, chinês, 32, em um centro na Pensilvânia. Registros citados pela agência indicam tentativa anterior de suicídio e recomendação de monitoramento; o ICE afirmou em boletim que ele chegou ao centro sem prontuário médico da prisão anterior.
Em outro comunicado, o ICE destacou antecedentes criminais ao confirmar a morte de Mohammad Paktiawal, afegão, 41, que morreu em hospital no Texas após ser detido. A nota dizia: “Criminoso imigrante ilegal do Afeganistão, com antecedentes criminais por fraude e roubo, falece em hospital do Texas.”
População detida pelo ICE aumentou nos últimos anos e chegou a um pico no atual governo, segundo os dados citados. A agência mantinha cerca de 40 mil pessoas detidas quando Trump assumiu, e o total chegou a aproximadamente 70 mil em janeiro, antes de recuar para cerca de 57 mil no início de junho.
Especialistas ouvidos apontam que o aumento de mortes ocorre em um sistema sob pressão e com menos transparência nos relatórios. Eles afirmam que documentos recentes trazem menos detalhes sobre histórico médico, medicamentos e atendimento de emergência do que em anos anteriores, o que dificulta entender os fatores por trás da alta.
PROCURE AJUDA
Se você estiver tendo pensamentos suicidas, procure ajuda especializada.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188. Também há atendimento por chat, e-mail e presencialmente.
Outra opção é procurar um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) na sua cidade.
Há ainda o Pode Falar, canal criado pelo Unicef para jovens de 13 a 24 anos, com atendimento anônimo e gratuito.
Leia Também: Morte de Epstein: colega de cela revela ‘suspeitas’ e que guardas “riram”

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