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RR NOTÍCIAS > Blog > Sem categoria > Último orelhão ativo de Campo Grande fica escondido a 40 km da cidade e é cuidado por ‘guardiã’
Sem categoria

Último orelhão ativo de Campo Grande fica escondido a 40 km da cidade e é cuidado por ‘guardiã’

Last updated: 23 de janeiro de 2026 06:01
Marinara Rossignol Published 23 de janeiro de 2026
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Último orelhão de Campo Grande fica escondido é cuidado por guardiã
O único orelhão ativo de Campo Grande fica a cerca de 40 km da cidade e está escondido em um distrito da capital: Rochedinho. O g1 foi ao local onde o telefone público fica e descobriu a história que o objeto de mais de 30 anos carrega. Veja o vídeo acima.
Os orelhões vão desaparecer das ruas do Brasil, a partir de janeiro de 2026. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em Mato Grosso do Sul existem 107 aparelhos, mas apenas 58 ainda funcionam.
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Ao longo do tempo, o aparelho ganhou adaptação em Rochedinho. O objeto fica dentro da estrutura antiga clássica, foi colocado um telefone parecido com os residenciais. Por lá, não precisa mais de ficha ou cartão para fazer ligação. As chamadas locais e nacionais são gratuitas.
Não se sabe quando o orelhão foi instalado no distrito. Mas a localização é estratégica, já que o telefone público fica em frente a uma Unidade de Saúde da Família e aos Correios, bem na entrada do povoado.
➡️A extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Em janeiro, começa a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. Os orelhões só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível. E só até 2028.
Aparelho em Rochedinho é antigo e tem até guardiã
Último orelhão de Campo Grande tem Maria como guardiã.
Marcus Vinnícius/TV Morena
A história do orelhão em Rochedinho se mistura com a vida de Maria das Dores de Lima. Funcionária dos Correios há mais de 30 anos, desde então ela ficou conhecida como “a dona” do aparelho. Ela era quem organizava o uso e controlava as ligações.
Maria lembra que, no passado, havia filas todos os dias. O sistema era rígido: cada ligação tinha horário, custo e tempo anotados.
“O pessoal vinha fazer ligação e era cobrado. Tinha uma taxa, aí a gente marcava os horários, os minutos, os segundos, tudo certinho. Depois, a cobrança chegava para os moradores”.
Das encomendas até as conversas
Além das encomendas, Maria também entregava recados de pessoas que ligavam no orelhão e buscavam por moradores do distrito. Sem celular, muitos telefonemas eram combinados com antecedência.
“Quando a pessoa morava em alguma fazenda e a gente anotava os recados, porque eles não conseguiam vir aqui sempre”.
Na pequena Rochedinho, com pouco mais de mil moradores, todos se conheciam. Por isso, Maria garantia que nenhum recado ficava sem entrega. Hoje, com o avanço dos celulares, o orelhão quase não toca. O que permanece é a memória e a história da “guardiã” com um objeto que virou saudade.
☎️ Símbolo nacional
Cidades do interior de SP possuem mais de 550 orelhões ativos Bauru SP
Acervo de Chu Ming Silveira/reprodução
O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente eles tinham outros nomes, como Chu I e Tulipa.
Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China.
Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegia quem falava do barulho externo.
*Estagiária sob supervisão de José Câmara.

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