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RR NOTÍCIAS > Blog > Brasil > Vereador avança com carro contra indígena em bloqueio de via no Pará
Vereador avança com carro contra indígena em bloqueio de via no Pará
Brasil

Vereador avança com carro contra indígena em bloqueio de via no Pará

Last updated: 14 de fevereiro de 2026 09:17
rrnoticias Published 6 de fevereiro de 2026
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O grupo, em protesto, ocupa há 15 dias a entrada da empresa contra o decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários no rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND) e abre caminho para concessões e para a privatização da “manutenção da navegabilidade”, incluindo dragagens.
Em nota publicada nas redes sociais, Mottin diz ter sido cercado, atacado e ferido por manifestantes que portavam pedaços de madeira. “Já agredido e diante do temor iminente pela própria vida, munido do direito de se proteger, o motorista forçou a saída e conseguiu deixar o local”, afirma o comunicado.
No carro, também estava a mulher do vereador, que é cadeirante. “Sua esposa, que se encontrava no banco do passageiro, em condição de extrema vulnerabilidade em razão de sua deficiência física, conseguiu se esquivar, ficando em estado de extremo desespero e sofrendo grave abalo psicológico ao ver seu esposo correndo risco de vida”, diz a nota.
A Câmara Municipal de Santarém afirmou, em nota, que intimidação ou ameaças são incompatíveis com o exercício da função pública e com os princípios democráticos.
“A Câmara Municipal de Santarém repudia os atos atribuídos ao vereador Malaquias Mottin, amplamente divulgados em vídeos nas redes sociais, nos quais o parlamentar aparece avançando em direção a barreira formada por indígenas que participavam do ato pacífico, colocando em risco a integridade física dos manifestantes”, diz trecho da nota assinada pelo presidente da Casa, Jader Ilson Pereira (União).
Uma testemunha disse à Folha que o vereador chegou filmando e invadindo o local do protesto com o carro e que, quando algumas pessoas tentaram impedi-lo, ele teria avançado com o veículo.
O Cita (Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns), entidade representante de 14 povos do Baixo Tapajós, emitiu uma nota de repúdio contra a ação e destacou que o local de protesto reúne crianças e idosos.
“O movimento indígena repudia a tentativa de intimidação e reafirma que a mobilização é legítima e pacífica, em defesa do rio Tapajós, dos territórios e do direito à consulta livre, prévia, informada e de boa-fé”, diz trecho da nota.
A principal demanda dos indígenas é a revogação do decreto, que também abrange os rios Madeira (RO) e Tocantins (TO).
Na quarta (4), os manifestantes bloquearam a avenida Fernando Guilhon, que dá acesso ao aeroporto de Santarém, após uma reunião sem acordo com representante do governo federal. Eles liberaram a via na noite do mesmo dia.
Nesta quinta, os manifestantes voltaram a se reunir com o governo Lula. O dia de diálogo também terminou em o fim do ato. Outra reunião marcada para esta sexta (6) pretende por fim ao protesto que dura mais de duas semanas.
O projeto de hidrovias já foi alvo de protestos na COP30, conferência do clima das Nações Unidas realizada em novembro em Belém. Na ocasião, as ministras Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, e a Marina Silva, de Meio Ambiente, afirmaram que a consulta prévia com as comunidades seria feita. Contudo, a promessa não foi cumprida.
O Ministério dos Povos Indígenas disse, em nota, que “reconhece a legitimidade das preocupações apresentadas e reafirma que nenhuma iniciativa relacionada à dragagem, manutenção hidroviária ou qualquer outro empreendimento no rio Tapajós pode avançar sem o consentimento livre, prévio, informado e de boa-fé dos povos diretamente, conforme a convenção nº 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a Constituição Federal.”
Leia Também: Polícia prende turista argentina sob acusação de injúria racial no RJ

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